Um dia a gente acorda e
descobre que em casa de ferreiro o espeto é de pau. Pau para todas as obras?
Nem sempre. Lidei (lido?) por décadas com o sofrimento alheio: não só o psíquico
- com toda a extensa lista de neuroses, psicoses e transtornos – mas com o físico também.
Dores da alma e do corpo. Corpo que denuncia, insistentemente, os desarranjos
daquela. Desde agosto passado sofro com dores no ombro esquerdo que agora
passaram para o direito também além de irradiar para o braço. Lembram-se? Interrompi as sessões de
fisioterapia depois do diálogo que se segue:
_ A Sra. não pode fazer
serviços domésticos.
- E quem irá fazer?
- Sua empregada.
- Quem lhe disse que tenho
uma?
- Então a faxineira.
- Uma vez por semana? E nos
outros dias como fica? É Reginete (né Zizi?) que entra (mesmo não querendo) em ação, ora
essa!
Nesses meses todos convivi
com Dasdô. Quase sem dormir, virando de um lado para outro. A madrugada além de
enorme, feita de pequenos cochilos, mal dormida, me fazia levantar sem aquele
sono restaurador de um tudo! Fui empurrando Dona Dasdô como pude e me lembrando
dos pacientes do grupo de dor crônica - que coordenei lá no hospital - me dizendo:
a gente se acostuma com ela Dra.! Nunca entendia esse "costume". Não sei bem se me acostumei. Talvez criei,
sem perceber, mecanismos adaptativos que me fizeram companheira de Dasdô. Há
ganhos secundários em toda e qualquer dor. A ausência dela faz com que nos
ocupemos de outras coisas e, a maioria das vezes, nem sabemos com o que. Ficam
os vazios de todas as horas anteriormente gastas com consultas, exames,
aplicações a serem preenchidos. O medo inconsciente desse vazio faz a gente
protelar até a chegada do despertar NÃO DÁ MAIS! Essa semana despertei. Aleluia!!!
Primeiro decidi encarar Louise Hay e suas causas prováveis/parte afetada:
Doença
ou parte afetada Causa provável
1Dor contínua 1.Desejo de ser
amado, abraçado.
2.Articulações 2.Representam
mudanças de direção na vida e a facilidade desses movimentos.
3.Ombros 3.Feitos para
carregar alegria, não pesos.
Depois desse
encaramento-bofetada marquei ortopedista amigo. Ficou numa decepção comigo: “não é
essa a colega-amiga de tantos anos que conheço!”
Decepcionou sem dizer muitas
palavras. Seus olhos me fitavam incrédulo e sua cabeça mexia em negativa. Foi
prescrevendo analgésicos, mostrou como minha falta de disciplina, perseverança
no tratamento lá em 2011 afetou o ombro direito (para compensar o outro), pediu
ressonância, sessões de fisio e de acunpuntura. Não compreendeu também (após
exame local) como venho aguentando Dasdô: “deve estar doendo muito!” Mulher de malandro quase respondi. Devo ter
suportado para provar que em casa de ferreiro o espeto é de pau, expiar pecados, fazer jus à profissão...sei lá sÔ! Depois das dez
sessões iniciais quer me ver: “se desaparecer de novo mando te buscar no laço.”
Se for ao enlaço de um abraço fica melhor, viu Dr.Tiago?
(Escrevi com o tempo verbal no
passado para ver se assim essa presente companheira Dasdô se ausente rapidim! )





