Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

DASDÔ


Um dia a gente acorda e descobre que em casa de ferreiro o espeto é de pau. Pau para todas as obras? Nem sempre. Lidei (lido?) por décadas com o sofrimento alheio: não só o psíquico - com toda a extensa lista de neuroses, psicoses e transtornos – mas com o físico também. Dores da alma e do corpo. Corpo que denuncia, insistentemente, os desarranjos daquela. Desde agosto passado sofro com dores no ombro esquerdo que agora passaram para o direito também além de irradiar para o braço. Lembram-se? Interrompi as sessões de fisioterapia depois do diálogo que se segue:
_ A Sra. não pode fazer serviços domésticos.
- E quem irá fazer?
- Sua empregada.
- Quem lhe disse que tenho uma?
- Então a faxineira.
- Uma vez por semana? E nos outros dias como fica? É Reginete (né Zizi?) que entra (mesmo não querendo) em ação, ora essa!
Nesses meses todos convivi com Dasdô. Quase sem dormir, virando de um lado para outro. A madrugada além de enorme, feita de pequenos cochilos, mal dormida, me fazia levantar sem aquele sono restaurador de um tudo! Fui empurrando Dona Dasdô como pude e me lembrando dos pacientes do grupo de dor crônica - que coordenei lá no hospital - me dizendo: a gente se acostuma com ela Dra.! Nunca entendia esse "costume". Não sei bem se me acostumei. Talvez criei, sem perceber, mecanismos adaptativos que me fizeram companheira de Dasdô. Há ganhos secundários em toda e qualquer dor. A ausência dela faz com que nos ocupemos de outras coisas e, a maioria das vezes, nem sabemos com o que. Ficam os vazios de todas as horas anteriormente gastas com consultas, exames, aplicações a serem preenchidos. O medo inconsciente desse vazio faz a gente protelar até a chegada do despertar NÃO DÁ MAIS! Essa semana despertei. Aleluia!!! Primeiro decidi encarar Louise Hay e suas causas prováveis/parte afetada:
Doença ou parte afetada             Causa provável
1Dor contínua                          1.Desejo de ser amado, abraçado.
2.Articulações                          2.Representam mudanças de direção na vida e a facilidade desses movimentos.
3.Ombros                                 3.Feitos para carregar alegria, não pesos.

Depois desse encaramento-bofetada marquei ortopedista amigo. Ficou numa decepção comigo: “não é essa a colega-amiga de tantos anos que conheço!”
Decepcionou sem dizer muitas palavras. Seus olhos me fitavam incrédulo e sua cabeça mexia em negativa. Foi prescrevendo analgésicos, mostrou como minha falta de disciplina, perseverança no tratamento lá em 2011 afetou o ombro direito (para compensar o outro), pediu ressonância, sessões de fisio e de acunpuntura. Não compreendeu também (após exame local) como venho aguentando Dasdô: “deve estar doendo muito!” Mulher de malandro quase respondi. Devo ter suportado para provar que em casa de ferreiro o espeto é de pau, expiar pecados, fazer jus à profissão...sei lá sÔ! Depois das dez sessões iniciais quer me ver: “se desaparecer de novo mando te buscar no laço.” Se for ao enlaço de um abraço fica melhor, viu Dr.Tiago?
(Escrevi com o tempo verbal no passado para ver se assim essa presente companheira Dasdô se ausente rapidim! )

   

terça-feira, 15 de maio de 2012

COM QUE SENHA EU VOU?


Não sei quem inventou as senhas. Devem ter sido os gênios da informática, engenheiros e afins para nos colocarem em segurança. Pelo menos em intenção. Como os muros ao redor da casa, cercas elétricas, câmeras de segurança (sorria você está sendo filmado!) e outras tantas parafernálias.  Nem por isso os assaltos e roubos deixam de acontecer. Pura ilusão que estamos assim sãos e salvos. Ali-Babá já fazia uso do código secreto. Mas que eu saiba era um só!  Temos senha para cartão de banco, crédito, saúde, fidelidade, supermercado, lojas, redes sociais, computador, celular, cofres e sei lá mais o quê! Orientam-nos para que não sejamos repetitivos nas senhas e nem colocarmos coisas fáceis que qualquer um descobriria. Data de aniversário? Nem pensar! Descobri, nesses últimos dias, que meu DNA está avançadíssimo. Tanto tempo sem utilizar o MSN que esqueci minha senha! Depois de algumas tentativas, por motivo de segurança, fui bloqueada. Tente mais tarde foi a ordem e não me restou outra opção. Queria prosear com meus amados. Adiamento desse desejo. Ô saco sÔ! Devo realmente estar com minha data de nascimento avançada. Quero tudo simples, sem complicações, nem correrias. E, preferencialmente sem senhas! Mas se de todo não for possível, que seja única para tudo e diariamente: ABRE-TE VIDA!(RR)
Imagem:Internet

domingo, 13 de maio de 2012

PARA SEMPRE

Mother and Child - Louis Toffoli

Não sabia o quanto Carlos tem razão. Já faz três anos que descobri... Você me ensinou que esse dia "é puro comércio". Que dia das mães é todo dia, no desvelo imensurável, nesse amor sem explicação. Mas vi uma propaganda esse ano que você, com certeza, iria concordar: um calendário onde todos os dias está escrito DIA DOS FILHOS e só hoje esse tal DIA DAS MÃES! E foi assim sua vida por aqui. Todos os dias dedicados à criação, educação de suas filhas. Tenha certeza que você brilhou nessa tarefa nada fácil. De onde está mãe, sei/sinto que continua olhando por todas nós... AMO VOCÊ: mais que ontem, menos que amanhã. Eternamente sua filha e mãe de seus netos
Regina 
(o nome até significa rainha, mas não tive poderes pra baixar um decreto)

PARA SEMPRE (Carlos Drummond de Andrade)

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.

Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
FELIZ DIA PARA TODAS AS MÃES DO MUNDO!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

POIS É, ACABA...


 "...às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba." (Paulo Mendes Campos)

terça-feira, 8 de maio de 2012

VIDA QUE SEGUE


Nenhuma alteração se faz do nada, mas sempre retém e mantém parte das experiências vividas e dos valores acumulados. Na reconstrução é preciso reconhecer os ritos de passagem: quais os valores, traços e dimensões de práticas são mantidos e qual o peso específico que terá a ordenação do presente e do futuro.
É preciso identificar e analisar a natureza e a relação entre o descartado, o preservado e o incorporado. Há passagens sob o signo da ruptura e passagens que se dão entrelaçando acordos e compromissos orientados por uma envolvente mecânica de conciliação sob o signo do “novodorismo”.
Foram meses de perdas e como indica a Psicanálise, o luto não é apenas perder alguém/algo: é perdendo alguém/algo, perder um pedaço de si. Leva-se o tempo da singularidade do sujeito na elaboração.
Foram meses de ganhos também. De novas ideias, de pessoas novas, de entusiasmo novo e desenvolvimento repentino. A liberdade de ser eu mesma e de conduzir minha vida foi é agora uma questão de prioridade. Encontro-me numa nova situação. Uma mudança importante ocorreu e levo o tempo des necessário para absorver. O tempo se ocupa de ensinar a lidar com a solidão da(s) falta(s). Transitoriedade da vida!
As sôdades, doces, docês seguem diárias. Transitam impregnadas de bemquerência sempre! (RR)
Imagem: Karin Izumi