
(GABRIEL O PENSADOR)
“O importante é ser você, mesmo que seja, estranho. Seja você, mesmo que seja bizarro bizarro bizarro. Tira a máscara que cobre o seu rosto. Se mostre e eu descubro se eu gosto do seu verdadeiro jeito de ser”.
(PITTY)
Voltando ao tema, relembramos, Freud pensava que:
1. A pulsão não tem objeto pré-determinado no ser humano;
2. Tanto a “homossexualidade” quanto à “heterossexualidade” se desenvolvem socialmente, partindo de certas disposições individuais;
3. Sob o nome de homossexualidade se incluem numerosos fenômenos de ordens diversas;
4. Todos os indivíduos de nossa cultura possuem uma corrente libidinosa heterossexual e uma homossexual; a determinação da orientação predominante depende de uma série de fatores não completamente conhecidos.
Ao chegar ao consultório psicológico, o sujeito geralmente traz consigo o discurso gerado pelo sofrimento de exclusão que pode ser percebido por um mal-estar. Aos poucos sua fala anuncia e denuncia todo o esforço, desprendido ao longo de anos, para camuflar piadas ouvidas, sentenças proferidas e vivências dolorosas de exclusão:
“Prefiro a morte que ter um filho gay”.
“Bicha só se for cabeleireiro, estilista, maquiador. Um doutor? Nem pensar, não confio!”
“Que artista fenomenal! Também pudera, é viado e você sabe não é? Possuem uma sensibilidade ímpar!”
“Esse jeitão é porque ela é sapatão!”
“Só conseguiu esse cargo por politicagem. Imagina se a empresa aceitaria um homossexual?!”.
É importante lembrar que sob o ponto de vista legal, a homossexualidade não é classificada como doença também no Brasil. Sendo assim, nós psicólogos não devemos colaborar com eventos e “serviços” que se proponham ao tratamento e “cura” de homossexuais, nem tentar encaminhá-los para outros tratamentos. Quando procurados por homossexuais ou seus responsáveis para tratamento, não devemos recusar o atendimento, mas sim aproveitar o momento para esclarecer que não se trata de doença, muita menos de desordem mental, motivo pelo qual não podemos propor métodos de cura. Existe uma infinidade de teorias psicológicas e biológicas tentando explicar a origem da homossexualidade. As teorias psicológicas, assim como as biológicas são abundantes em opiniões e afirmações. Entretanto, nada de definitivo foi apresentado até o momento. O indivíduo homossexual não faz "opção" por ser homossexual. Ele apenas é e não pode, ainda que queira, mudar isso. Ele pode sim, fazer uma opção no sentido de negar esse impulso (pulsão) e tentar viver como heterossexual (a pulsão não tem objeto pré-determinado). Mas isso tem um impacto negativo e devastador para seu desenvolvimento emocional. Trata-se de uma situação muito mais comum do que se imagina. O impulso (pulsão) sexual que um heterossexual tem por sua parceira é o mesmo que um homossexual tem por seu parceiro do mesmo sexo. O que muda é o objeto. A questão de ser a homossexualidade um desvio ou não, está mais ligada a fatores culturais, econômicos e religiosos. Todos sabemos que, conforme as necessidades de uma determinada cultura, os valores mudam. Hoje talvez seja mais fácil para nós compreendermos os direitos individuais. Entender que o respeito a eles é fundamental para a qualidade de vida. Talvez seja a única forma de eliminarmos o preconceito e tornar melhor a vida em sociedade (começando com o núcleo familiar). Homossexualidade não é uma doença e, portanto, não é contagiosa. O nosso preconceito sim, esse é contagioso e destrói. Não devemos esquecer que um homem/mulher tem inúmeros papéis e funções em sua vida. Ele é filho, irmão, sobrinho, neto, cunhado, empregado, namorado, aluno, amigo, profissional, tem dons e competências intelectuais e ou manuais. Pode ser homo ou hetero sexual. Não se pode avaliar (julgar) um homem ou mulher apenas por uma de suas características sob pena de perdermos o melhor que ele (a) tem para nos oferecer!
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