Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Júnia me enviou por e-mail, um texto do Padre Fábio de Mello – “A graça de ser só” – com um pedido para que escrevesse aqui no blog sobre o assunto. Nesse texto o Padre fala da questão da vida celibatária e da polêmica em torno do assunto. Penso que, em função das muitas conversas tidas com ela, a sugestão passa por outro lugar – ter ou não um companheiro depois de uma certa idade, casar ou estar só. Em posts mais antigos (relacionamento a dois) escrevi o que vem se apresentando, na minha clínica, com casais, homens e mulheres. Hoje a história é outra: trata-se da escolha de estar só. O fato de não estar casado não priva ninguém do amor. Há uma realidade, descoberta através da maturidade, que o outro não nos completa, que não é o príncipe ou princesa encantada e que não se quer mais ser o depositário do universo de carências, necessidades, iludidas pela imagem que “ele (a) é o meu Salvador”. Casamento, namoro, não resolve os problemas de ninguém e muito menos a solidão. Quantos casais nós conhecemos que estão absolutamente separados? Sozinhos em dupla? Estabelecendo relações extra casamento para suportar o mesmo?
Como é mesmo a palavra utilizada formalmente nos contratos? Cônjuge! Porque é conjugal? Porque viver junto – não me refiro apenas ao casamento contratual tradicional – é conjugar. Conjugar é viver todos os tempos e pessoas dos verbos. É saber ser eu, tu, ele, nós, vós e eles, sem perda da individualidade. Conjugar é viver vários tempos, presente, passado, futuro em várias pessoas. Conjugar é articular a complexidade de cada ser, com a complexidade do parceiro/a. É “com-jugar” e não “sub-jugar”. Para conjugar o verbo amar, é preciso conjugar o verbo ser! O amor é um exercício de felicidade, não de poder. E esse exercício pode ser feito até mesmo na “graça de ser só”.

UMA IDADE ESPECIAL

Estávamos sentadas à mesa da fazenda, tomando um delicioso café da manhã, ouvindo as mais variadas músicas emitidas pela infinidade de pássaros que ali habitam, com um céu azul de brigadeiro invadindo os janelões, quando começamos, Júnia, Syl e eu, a falar das novas técnicas cirúrgicas, preenchimentos, botox, laser e cia.ltda. Puxar daqui, esticar dali, quem já fez, dores, conseqüências desastrosas e cu$to$. Não me lembro o porquê do surgimento do assunto e isso é um dos indicativos da Síndrome de PIA (Porra da Idade Avançada!). Só sei que, repentinamente, o céu se tornou cinza, os pássaros desapareceram e fui me olhar no espelho! Como já escrevi em outros posts (mudanças corporais) não é fácil assimilarmos todas as mudanças que ocorrem conosco a partir de certa idade. Mas também venho experimentando algo totalmente novo: um equilíbrio, um bem-estar interior. Algo que posso assegurar não termos, quando nosso bumbum é durinho, o rosto sem rugas de expressão, memória impecável, e somos tratadas pelo melhor pronome de tratamento - você.
Voltando para o espelho pensei em dizer para as “meninas” que cada nova experiência nos desafia com uma escolha. E o processo de envelhecer não é exceção. Agora, de que maneira essa nova fase do “não sou mais jovem” se abrirá para nós – de que modo nós nos ambientaremos e habitaremos o espaço da maturidade em diante – é uma questão em aberto e cabe a cada uma encontrar a própria resposta. Eu, “meninas”, já encontrei a minha (é só ler os referidos posts) e decididamente não estou envelhecendo, www.tôfora.com.! Estou ENVELHE/SENDO ou MADURE/SENDO, como preferirem e aí www.tôdentro.com.
É um novo espaço que se abriu com a chegada da maturidade: caminhos diferentes que constroem novas “sinapses” em meu cérebro e que dá boas vindas – espiritualmente e fisicamente falando – a novas energias, que de outra forma ou num outro momento, eu não estaria receptiva.
Envelhecer não é um território novo – vimos nossos avós, pais, irmãos mais velhos passando por ele e pensávamos (se é que...) estarmos muiiito longe. Mas o que pode ser novidade é a maneira como nós estamos buscando algo que esteja além das normas culturais prescritas. Uma visão mais ampla que nos leve para além das formas de pensamentos limitadas e padrões previamente estabelecidos por gerações passadas - e isso, inclui aqueles relacionamentos que já falamos a respeito. Esse período, “meninas”, é muito diferente da juventude e também da velhice. É a MADURE/SENDO... Sendo mais ousadas, pacientes, equilibradas, permissivas, aventureiras, livres, soltas, inteiras com o nosso desejo! O espelho continua sendo amigo, porque reflete a nossa alma, o nosso interior construído ao longo desses anos, a nossa alegria de sermos o que somos. E aí não tem nenhum problema, podemos até incluir no pacote, se quisermos, o botox, o laser, a plástica, o preenchimento...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

HOMOSSEXUALIDADE VIII - FINAL

“Se liga aí, se liga lá, se liga então! Se legalize a opção! Deixe ele viver em paz. Cada um sabe o que faz. Deixa o homem ter marido. Deixa a mina ter mulher. Deixa ela viver em pé. Cada um sabe o que quer. O que é que tem demais cada um ser o que é?”
(GABRIEL O PENSADOR)
“O importante é ser você, mesmo que seja, estranho. Seja você, mesmo que seja bizarro bizarro bizarro. Tira a máscara que cobre o seu rosto. Se mostre e eu descubro se eu gosto do seu verdadeiro jeito de ser”.
(PITTY)
Voltando ao tema, relembramos, Freud pensava que:
1. A pulsão não tem objeto pré-determinado no ser humano;
2. Tanto a “homossexualidade” quanto à “heterossexualidade” se desenvolvem socialmente, partindo de certas disposições individuais;
3. Sob o nome de homossexualidade se incluem numerosos fenômenos de ordens diversas;
4. Todos os indivíduos de nossa cultura possuem uma corrente libidinosa heterossexual e uma homossexual; a determinação da orientação predominante depende de uma série de fatores não completamente conhecidos.
Ao chegar ao consultório psicológico, o sujeito geralmente traz consigo o discurso gerado pelo sofrimento de exclusão que pode ser percebido por um mal-estar. Aos poucos sua fala anuncia e denuncia todo o esforço, desprendido ao longo de anos, para camuflar piadas ouvidas, sentenças proferidas e vivências dolorosas de exclusão:
“Prefiro a morte que ter um filho gay”.
“Bicha só se for cabeleireiro, estilista, maquiador. Um doutor? Nem pensar, não confio!”
“Que artista fenomenal! Também pudera, é viado e você sabe não é? Possuem uma sensibilidade ímpar!”
“Esse jeitão é porque ela é sapatão!”
“Só conseguiu esse cargo por politicagem. Imagina se a empresa aceitaria um homossexual?!”.
É importante lembrar que sob o ponto de vista legal, a homossexualidade não é classificada como doença também no Brasil. Sendo assim, nós psicólogos não devemos colaborar com eventos e “serviços” que se proponham ao tratamento e “cura” de homossexuais, nem tentar encaminhá-los para outros tratamentos. Quando procurados por homossexuais ou seus responsáveis para tratamento, não devemos recusar o atendimento, mas sim aproveitar o momento para esclarecer que não se trata de doença, muita menos de desordem mental, motivo pelo qual não podemos propor métodos de cura. Existe uma infinidade de teorias psicológicas e biológicas tentando explicar a origem da homossexualidade. As teorias psicológicas, assim como as biológicas são abundantes em opiniões e afirmações. Entretanto, nada de definitivo foi apresentado até o momento. O indivíduo homossexual não faz "opção" por ser homossexual. Ele apenas é e não pode, ainda que queira, mudar isso. Ele pode sim, fazer uma opção no sentido de negar esse impulso (pulsão) e tentar viver como heterossexual (a pulsão não tem objeto pré-determinado). Mas isso tem um impacto negativo e devastador para seu desenvolvimento emocional. Trata-se de uma situação muito mais comum do que se imagina. O impulso (pulsão) sexual que um heterossexual tem por sua parceira é o mesmo que um homossexual tem por seu parceiro do mesmo sexo. O que muda é o objeto. A questão de ser a homossexualidade um desvio ou não, está mais ligada a fatores culturais, econômicos e religiosos. Todos sabemos que, conforme as necessidades de uma determinada cultura, os valores mudam. Hoje talvez seja mais fácil para nós compreendermos os direitos individuais. Entender que o respeito a eles é fundamental para a qualidade de vida. Talvez seja a única forma de eliminarmos o preconceito e tornar melhor a vida em sociedade (começando com o núcleo familiar). Homossexualidade não é uma doença e, portanto, não é contagiosa. O nosso preconceito sim, esse é contagioso e destrói. Não devemos esquecer que um homem/mulher tem inúmeros papéis e funções em sua vida. Ele é filho, irmão, sobrinho, neto, cunhado, empregado, namorado, aluno, amigo, profissional, tem dons e competências intelectuais e ou manuais. Pode ser homo ou hetero sexual. Não se pode avaliar (julgar) um homem ou mulher apenas por uma de suas características sob pena de perdermos o melhor que ele (a) tem para nos oferecer!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

FAZENDO AS MALAS

Mark Twain no livro The Innocents Abroad (Os inocentes no exterior) escreveu “Viajar é fatal para preconceitos, para o fanatismo e para as mentes estreitas”. Quando viajo, muitas das minhas más impressões se desfazem, confirmam as positivas e acontecem numerosas surpresas! Lembro do tamaaaanho da minha mala quando viajei pela primeira vez para o exterior – nem preciso dizer que pelo menos dois terços não foi usado – e nos últimos tempos tenho tentado me “profissionalizar” com direito,ainda, a vários escorregões. Uma coisa sempre levo: muita curiosidade e paciência.
Já confirmei também, muito antes de receber e-mails sobre o assunto, que viajar é uma das formas mais precisas de se conhecer, realmente, alguém. E de que duas pessoas jamais saem da mesma experiência levando as mesmas memórias – fácil de confirmar quando pedimos dicas às pessoas que já foram naquele local.
Algumas pessoas viajam para ver e ticar sua lista. Eu viajo para enxergar, ouvir, degustar, respirar e sentir. O número de quilômetros que percorremos, nada tem a ver com os verdadeiros prazeres proporcionados pela viagem; a beleza inerente ao mundo, assim como a sensação de descoberta que ela nos promete, está em toda parte à nossa volta.
Ultimamente, quando peço dicas às pessoas, tenho ouvido muito a expressão - “dá um perdido” – que traduzo assim: dê a si mesma o direito (estimule) de enveredar por desvios inesperados e até se perder! Quando estamos “perdidos” enfrentamos uma outra jornada: para o interior de nós mesmos, o mais desconhecido, estranho e menos explorado território. Podemos dessa forma, bem diferente, nos desbravar de maneira única... Não existem viagens ruins, só boas histórias para serem contadas na volta. Eu sou absolutamente www.tôdentro.com viagens! Vamos viajar?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

QUATRO MESES DE VIAGEM

Ontem me perguntaram como você está? Fiquei alguns momentos sem saber o que responder, até porque você ainda não me deu notícias se fez boa viagem, se sentiu frio, se alimentou, como foi recepcionada na chegada, quem estava te aguardando e todos aqueles detalhes que sempre me pediu, em todas as viagens que já fiz.
Tenho tanta curiosidade... Já se encontrou com todos da família? E com os amigos? Retomou sua dança, aulas de desenho/pintura, costura, culinária, bordados, arranjos florais? “Vá com calma porque o mundo não acaba hoje” – lembra-se?
Como é a paisagem? Multicolorida? A temperatura é agradável? Tudo é iluminado e calmo? Não há muros nem cercas, doenças e dores, só Alegria, Gratidão e Amor?

Por aqui estamos caminhando... Altos e baixos como numa montanha russa. Hoje estou um pouco apreensiva. Estamos enfrentando, nesses últimos meses, uma epidemia/pandemia de “gripe suína”, corretamente denominada de gripe A(H1N1), e os meninos viajam para Curitiba. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná recomendou a não realização do evento e, após muitas horas de reuniões avaliando os pós e contras, os organizadores decidiram pelo não cancelamento. Vou ter que assinar um termo de autorização detalhado e dizer - “seja o que D’US quiser!” Sou uma mãe relapsa? Você deixaria? Bons tempos àqueles que uma gemada, leite quente com mel, chá de limão com alho, cama e carinho de mãe sarava, rapidinho, qualquer gripe!
Outra coisa: já se encontrou com o grande amor da sua vida? Disse tudo, tudo, que ensaiou nesses anos todos? Colocou para fora toda a mágoa, tristeza dele ter te deixado sozinha por tanto tempo? E como ele reagiu? Ah, nós mulheres, como adoramos “tricotar”...
Bem, espero que depois desse “puxão de orelha”, você arrume um tempinho, na agenda, para mandar notícias!
Beijuuss, no seu coração, cheios de saudade e amor da sua “caçulinha”.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

VIAJAR OU TURISTAR



“Voyager c’est prendre um chemin sans jamais savoir où on va”.
Viajar é tomar um caminho sem saber aonde ele vai nos levar.

Sempre adorei viajar. Comecei minhas viagens, ainda criança, através da leitura-quando lia produzia uma intensa atividade interior. Num romance imaginava além dos personagens, os ambientes, as cidades, as roupas. Quando passei a ir ao cinema, me encantava com as locações e viajava através das paisagens e da minha constante afirmação de que - um dia vou conhecer esse lugar! Tenho um prazer indescritível ao viajar. Começo sempre, quando há tempo hábil, lendo a respeito do local, dos costumes, da comida típica, dos pontos turísticos e assim vou fazendo um desenho na minha cabeça já me transportando mentalmente para o local.
Turista e viajante são sinônimos, pelo menos, no dicionário. Mas numa viagem são antônimos. É possível reconhecer um turista, mesmo que não esteja numa excursão, porque faz questão de peregrinar ansiosamente por todos-os-pontos-turísticos-e-mais-alguns. Acha que se não tirar foto de tudo, tudo, tudo e não entrarem em cada igreja, museu, a viagem não estará completa.
Mas viajar vai além do circuito mais conhecido de cada cidade e dos álbuns de fotos que são preenchidos na volta para casa. Os viajantes sabem. Por isso, apesar de ser bacana conhecer monumentos históricos - e eu não me roubo desse prazer de olhar, com os meus próprios olhos, aquilo antes visto em filmes, livros, internet – prefiro abrir mão de certas atrações para curtir outros prazeres: tomar um café observando as pessoas que passam, andar pelas ruas sem guia, sem pressa, pronta para me surpreender pelo caminho com uma lojinha diferente, um restaurante só conhecido e freqüentado pelos habitantes locais. Isso dá para fazer onde quer que a gente vá: na cidade do interior de nosso estado ou num outro continente.
Viajar compensa qualquer custo ou sacrifício. Torna nossa mente mais curiosa, nosso coração mais forte e nosso espírito mais alegre. E uma vez que nossa mente tenha se expandido dessa maneira, jamais poderá voltar ao seu tamanho original!
Acredito que sou 70% viajante e 30% turista... Mas estou em constante treinamento para um dia me tornar uma simples viajante!

terça-feira, 21 de julho de 2009

HOMOSSEXUALIDADE VII - Folha de São Paulo

É realmente inacreditável... Aguardaremos para o próximo dia 31/07...

Como paciente, repórter paga R$ 100 a sessão -DO ENVIADO ESPECIAL AO RIO
Numa sala onde mal cabem dois sofás cobertos com capas meio encardidas e uma cadeira de palha, a psicóloga Rozângela Alves Justino promete "curar" gays em terapia que pode durar de dois a cinco anos.
A mulher de fala mansa e fleumática diz já ter "revertido" uns 200 pacientes da homossexualidade -que vê como doença- em 21 anos de profissão.
Sem se identificar como jornalista, a reportagem se passou por paciente e pagou por uma consulta - R$ 200, regateados sem resistência para R$ 100.
Para uma primeira sessão, ela mais fala do que ouve. Tampouco anota dados ou declarações do consulente. Explica que faz "militância política para defender o direito daquelas pessoas que querem voluntariamente deixar a homossexualidade". "É um transtorno porque traz sofrimento", diz a psicóloga, formada nos anos 1980 no Centro Universitário Celso Lisboa, no Rio.
Rozângela diz adotar a "linha existencialista" e que 50% de chance do sucesso da "cura" vem da vontade do homossexual de sair "dessa vida" e outros 50% decorrem do trabalho psicoterápico.
"É preciso entender o que está por trás da homossexualidade. E a mudança vai acontecendo naturalmente. Vamos tentar entender o que aconteceu para que você tenha desenvolvido a homossexualidade. Na medida em que você for entendendo a sua história, vai ficar mais fácil sair", diz.
Rozângela mostra plena convicção no que defende.
"Com certeza há possibilidade de saída. Nesses 20 anos já vi várias pessoas que deixaram a homossexualidade. Existe um grupo que deixou o comportamento homossexual. Existem pessoas que, além do comportamento, deixaram a atração homossexual. E outras até desenvolveram a heterossexualidade e têm filhos."
No final da consulta, a recomendação: "A igreja pode ser um espaço terapêutico também" - embora não faça pregação. (VQG)

HOMOSSEXUALIDADE VI - Folha de São Paulo

Leiam abaixo a entrevista dada pela "colega". Talvez o Conselho Federal junto ao MEC deveria também, averiguar a "faculdade" na qual ela "retirou" seu diploma. É a Educação no nosso país...
"É a Inquisição para héteros", diz terapeuta DO ENVIADO ESPECIAL AO RIO
A psicóloga Rozângela Alves Justino diz que homossexualidade é uma "doença" e que "a maioria dos gays foi abusado sexualmente na infância e sentiu prazer nisso".

FOLHA - Como a sra. vê o homossexualismo?
ROZÂNGELA ALVES JUSTINO - É uma doença. E uma doença que estão querendo implantar em toda sociedade. Há um grupo com finalidades políticas e econômicas que quer estabelecer a liberação sexual, inclusive o abuso sexual contra criança. Esse é o movimento que me persegue e que tem feito alianças com conselhos de psicologia para implantar a ditadura gay.
FOLHA - O que é ditadura gay?
JUSTINO - Há vários projetos no Congresso para cercear o direito de expressão, de pensamento e científico. Eles foram queimados na Santa Inquisição e agora querem criar a Santa Inquisição para heterossexuais.
FOLHA - A que a sra. atribui o comportamento gay?
JUSTINO - À expectativa dos pais, que querem que o filho nasça menino ou menina. Projetam na criança todos os anseios. E daí começam a conduzir a sua criação como se você fosse uma menina. Outra causa mais grave é o abuso sexual na infância e na adolescência. Normalmente o autor do abuso o comete com carinho. Então a criança pode experimentar prazer e acabar se fixando.
FOLHA - Mas nem todos os homossexuais foram abusados na infância.
JUSTINO - A maioria foi.
FOLHA - Como é o seu tratamento?
JUSTINO - É um tratamento normal, psicoterápico. Todas as linhas psicológicas consagradas e vários teóricos declaram que a homossexualidade é um transtorno. A psicanálise a considera como uma perversão a ser tratada. À medida em que a pessoa vai se submetendo às técnicas psicoterápicas, vai compreendendo porque ficou presa àquele tipo de comportamento e vai conseguindo sair. Não há nada de tão misterioso e original na minha prática. Sou uma profissional comum.

HOMOSSEXUALIDADE V - Folha de São Paulo

Com os posts sobre “HOMOSSEXUALIDADE” chegou, às minhas mãos, para minha vergonha, artigo publicado na Folha de São Paulo no último dia 14, onde uma “colega” (será mesmo?) fala de sua prática... Não me cabe julgá-la, até mesmo porque ela já o está sendo pelo Conselho Federal de Psicologia, mas trazer aqui o que de realidade, infelizmente, ainda existe na atualidade. Penso ser fundamental para todos que se interessam pelo assunto lerem. Então este, o VI e o VII fazem parte da reportagem. O próximo (VIII) darei continuidade aos meus escritos. Peço desculpas pela interrupção, mas achei fundamental postá-los.

Psicóloga que diz "curar" gay vai a julgamento em conselho
Conselho Federal de Psicologia decide no dia 31 se cassa licença de Rozângela Alves Justino

Resolução veta tratar questão como doença e recrimina indicação de tratamento; se o registro for perdido, será a 1ª condenação do tipo no país - VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO - ENVIADO ESPECIAL AO RIO -

O Conselho Federal de Psicologia julga, no fim deste mês, a cassação do registro profissional de Rozângela Alves Justino por oferecer terapia para que gays e lésbicas deixem a homossexualidade. Se perder a licença, será a primeira condenação desse tipo no Brasil.
Resolução do próprio conselho proíbe há dez anos os psicólogos de lidarem a homossexualidade como doença e recrimina a indicação de qualquer tipo de "tratamento" ou "cura".
Rozângela, que afirma ter "atendido e curado centenas" de pacientes gays em 21 anos, diz ver a homossexualidade como "doença" e que algumas pessoas têm atração pelo mesmo sexo "porque foram abusadas na infância e na adolescência e sentiram prazer nisso".
Numa consulta em que a reportagem, incógnita, se passava por paciente, Rozângela, que se diz evangélica, recomenda orientação religiosa na igreja.
"Tenho minha experiência religiosa que eu não nego. Tudo que faço fora do consultório é permeado pelo religioso. Sinto-me direcionada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais", afirma.
A cassação de Rozângela, que atende no centro do Rio, foi pedida por associações gays e endossado por 71 psicólogos de diferentes conselhos regionais.
Segundo Rozângela, que já foi condenada a censura pública no conselho regional do Rio no final de 2007, "o movimento pró-homossexualismo tem feito alianças com conselhos de psicologia e quer implantar a ditadura gay no país".
"É por isso que o conselho de psicologia, numa aliança, porque tem muito ativista gay dentro do conselho de psicologia, criou uma resolução para perseguir profissionais", afirma.
No Rio, Rozângela participa do Movimento Pela Sexualidade Sadia, conhecido como Moses, ligado a igrejas evangélicas.
A almoxarife Cláudia Machado, 34, diz que recebeu de Rozângela a apostila "Saindo da homossexualidade para a heterossexualidade", que prega meios para a mudança de orientação sexual. "Hoje vivo a minha homossexualidade tranquila, essa história de cura não existe, o que houve foi um condicionamento. Reprimi meus desejos. Não sentia prazer", diz.
Já a pedagoga Fernanda, que pede para não ter o sobrenome divulgado, diz ter sido lésbica por dez anos e que, depois da terapia que faz com Rozângela há quatro anos, passou a ter relações heterossexuais. "Realmente há possibilidade de sair da homossexualidade. É um processo longo. De lá para cá busco a feminilidade."
"A ciência já mostrou que não existe tratamento para fazer com que alguém deixe de ter desejo homossexual nem heterossexual. Quando se promete algo assim, é enganoso", diz o terapeuta sexual Ronaldo Pamplona, da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.
Segundo ele, a Sociedade Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade do diagnóstico de doenças em 1974, seguida, uma década depois, pela Organização Mundial da Saúde.
"Se absolvê-la, o Conselho Federal de Psicologia vai referendar a tese de que é possível "curar" gays", diz Toni Reis, presidente da ABGLT, a associação brasileira de homossexuais.
"Isso traz prejuízo aos gays e contribui para fortalecer o estigma", afirma Cláudio Nascimento, superintendente da Secretaria de Direitos Humanos do Rio e do grupo Arco-Íris.
"Vejo [o pedido de cassação] como uma injustiça", diz Rozângela, que, se cassada, pensa em recorrer à Justiça comum.
De um lado, cem entidades gays de todo o país vão levar um manifesto e manifestantes no dia do julgamento de cassação de registro de Rozângela, no próximo dia 31, em Brasília. Do outro, ela diz que vai reunir alguns ex-gays e psicólogos amordaçados para protestar contra a censura que diz sofrer.

HOMOSSEXUALIDADE IV

Desde o começo da Psicanálise, teoria que sistematiza a forma em que os seres humanos assumem uma posição sexuada, consciente e inconsciente, vem se apresentando para os psicanalistas uma questão que insiste em ficar aos olhos de todos sem poder ser completamente resolvida, qual seja, a relação da “homossexualidade” com a psicopatologia.
Os movimentos modernos de afirmação homossexual propõem, cada vez com mais força, a localização da “questão homossexual” no campo dos direitos humanos.
Freud descobriu cedo que “feminilidade” e “masculinidade” são construtos sociais que se desenvolvem na criatura humana a partir de seu contato com os outros nos primeiros anos de vida. Esse processo culmina, segundo este autor, com as identificações “normalizadoras” que representam a solução do que ele denominou “complexo de Édipo”.
Normalizadoras porque, segundo alguns pensam, estas identificações deveriam coincidir com o sexo que a anatomia assinala. Mas nem sempre acontece desta forma. Justamente neste ponto a Psicanálise vem para iluminar os pressupostos do passado, na medida que Freud esclarece, já em 1905, no artigo “Três ensaios sobre a sexualidade”, que a pulsão não tem um objeto predeterminado associado a ela.
Neste trabalho, ele diz que:
“... Assim, do ponto de vista da Psicanálise, o interesse sexual exclusivo de homens por mulheres também constitui um problema que precisa ser elucidado... (.) A atitude sexual definitiva do indivíduo não se define senão depois da puberdade e é o resultado de numerosos fatores, nem todos ainda conhecidos, alguns são de natureza constitucional; os outros, porém, são acidentais”.
Sabemos, então, que o sexo biológico de uma pessoa pode não corresponder com seu sentimento de identidade sexual. As identificações não levam, necessariamente, à coincidência socialmente esperada. E mais, elas nem sempre supõem a presença de desejos por um parceiro do “sexo contrário”, se assim podemos falar. Ou seja, nem a “normalidade” das identificações garante que o sujeito se defina como “heterossexual”, que seria o “natural” para um modelo reprodutivista inato, mas não há naturalidade na sexualidade humana.
E aqui começam os problemas. Para o psicanalista e para os leigos que "sofrem" da Psicanálise em alguma das muitas formas em que ela faz parte da Cultura moderna. Penso que nosso dever como psicanalistas frente aos direitos de quem sofre, pelos seus sintomas ou pelos sintomas sociais, é o de apresentar uma teoria que diferencie claramente os aspectos descritivos e as construções metapsicológicas daqueles aspectos normativos, ideológicos e preconceituosos com os que muitas vezes são confundidos.
A Psicanálise não pode atribuir para si o poder de legislar ou de emitir juízos sobre o que está certo ou errado, sobre se a forma de estruturação da identidade ou do desejo sexual "escolhida" pelo sujeito é a adequada.
Continua...