Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

FAZENDA SANTA MATILDE



A beleza, sem dúvida, está presente em todas as coisas visíveis e invisíveis neste nosso pequeno grandioso universo. Contudo, os olhos que contemplam são capazes de reconhecer o Belo? E o que é o Belo? Eis o grande mistério e encantamento: somos pessoas capazes de reconhecer a beleza diferentemente uns dos outros – mas, acima de tudo, capazes de reconhecê-la em algum momento, de alguma forma, durante nossa fugaz e efêmera vida.

Reconhecer o Belo é um dom. Experimentá-lo é o mais alto grau de espiritualidade que nós seres humanos, podemos alcançar. O Belo transforma nosso olhar e nos dá a sensação de integridade, de sermos um com a humanidade. Não há definição para ele, não há como julgá-lo, não há como recusá-lo ou dele escapar. E então, não há credo, raça, conceito ou preconceito que sejam capazes de nos separar.
Foi num dia ensolarado que adentrei pela porteira da fazenda Santa Matilde... As árvores plantadas, uma a uma pelos proprietários, pareciam que estavam me aguardando: jacarandá, sucupira, sibipiruna, citronela, umbela, paineira, ipê e tantas outras que diante de tamanha beleza e peculiaridade ficava difícil apreender de uma só vez.
No pasto, à distância, desfrutando de uma liberdade invejável, cavalos campolina, majestosos, imponentes pareciam me dizer como eram orgulhosos de ali pertencer.
Já próxima da casa, galos, galinhas ciscavam para lá e para cá “gritando” em polvorosa, na sua linguagem por mim traduzida, seja bem vinda, seja bem vinda. Scott apesar do seu tamanho, só com metade de sua visão entregou, generosamente, com a autorização de seus donos, seu coração e proteção.
No entre e sai do descarregar o carro, um vaso de orquídeas caprichosamente colocado, exalava um perfume pelos quatro cantos da sala. Um café na mesa da cozinha com quitandas locais e objetos antigos recheados de “causos”, a serem vagarosamente contados, anunciavam que aquele primeiro final de semana em São Brás, seria mais que especial!
No meio da euforia e já confortavelmente instalada no quarto que mais adiante, seria batizado de “suíte Bipê” saímos para caminhar. Devo dizer, que esta caminhada é bem diferente daquele exercício que se faz por razões médicas, não era um dever e sim um prazer. O que me dá alegria nesse caminhar são as excitações dos meus sentidos. Caminho pela Fazenda Santa Matilde para alegrar os meus olhos com as orquídeas plantadas na cerca, para as flores pequenas todas simétricas perfeitas (como é que elas sabem? Quem lhes ensinou geometria? Que químico lhes ensinou a arte de produzir cores?); os meus ouvidos para os canários, trinca ferros, sabiás, tizius, tico-ticos, melros, coleirinhas; o meu nariz para o cheiro da terra, do estrume, das amoras, jabuticabas, pêssegos, limões, mexericas, ameixas, abius; a minha pele esquentada pelo poente e refrescada pelo vento que passa pelas minhas orelhas cantando.
Olho para todos os lados, para baixo e para cima enquanto ouço as histórias de cada cantinho dessa fazenda. O assombro toma conta de mim e com tamanha recepção, ouso mudar o pronome pessoal para nós. Mesmo não sendo membro do MST invado Santa Matilde com a minha presença, idéias, sonhos, visões (nossa capela)...
E bem à vontade, pois é assim que os legítimos donos me fazem sentir, acordo no dia seguinte, no silêncio de vozes humanas, e saio pela casa aos gritos de alegria, dando bom dia, informando as horas e exigindo a presença do “homem que faz o café...”
As idas nessa fazenda já foram muitas, mas, hoje, Syl e Zé tentei dizer-lhes, um pouquinho, sobre uma outra alegria: a alegria tranqüila, estética, mística e silenciosa que encontro ao levar meus sentidos a passear na Fazenda Santa Matilde.
A alegria não mora nem num outro lugar, nem num outro tempo. A alegria mora no aqui e no agora: ela está bem perto de nós, na Fazenda Santa Matilde!

2 comentários:

  1. amiga , desta vez não foi possível desfrutar deste paraíso que aprendemos a conhecer e a amar. Mas sabemos o quanto este lugar nos acolhe. Em breve estaremos lá juntas em nosso "leito nupcial". e com o homem que faz o café divinamente.
    bjos com cheirinho de mato....

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  2. Ju Amada, vc não faz idéia como sentimos falta de vc lá! Eu então, com aquela camona toooooooda só prá mim rsrsrs
    Beijuuss n.c.

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