Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

COMO ALCANÇAR AMOROSAMENTE O INACESSÍVEL?

Essa vida é mesmo, no mínimo, intrigante.  Você já sentiu vontade de aconchegar, acolher, acalentar alguém e por mais que alargasse o coração, alasse a alma, estendesse os braços não consegue? Pois é assim que estou me sentindo. Sem nenhuma potência!
Lembram-se da potenciação nas aulas de matemática? “Sabemos que a potenciação é um caso específico da multiplicação, no qual todos os fatores são iguais. Uma potência diz quantas vezes devemos multiplicar certo número por ele mesmo ou dividi-lo. As propriedades surgem espontaneamente a partir das operações da multiplicação e da divisão com potências”. 
Foi multiplicando-me, dividindo-me a variadas potências que percebi que a vida tem a ver com a potência. Não exatamente com a da matemática...
Com a energia que, a cada instante, podemos disponibilizar para viver. Nada nos é mais essencial. Se nos arrancam um braço, uma perna continuaremos sendo o que somos. Ou até mesmo outras partes de nós. E que parte de nós não podemos amputar? Sob pena de deixar de ser. Qualquer uma que, se amputada, aniquilasse nossa potência. Porque sem potência para agir, deixamos de ser. Essa é a perspectiva de Espinosa.
Quando alguém lhe pergunta:
- Que foi? Cê não tá legal? Diz prá mim!
Só pergunta por supor em você menos potência do que esperava encontrar. E se você pode não estar legal, é porque essa sua potência oscila, segundo a segundo. Combustível sempre incerto. Afinal, as coisas que nos acontecem, os fragmentos de mundo que desfilam diante de nós, acabam interagindo conosco e nos transformando. O tempo todo. Por isso, essa potência – tão fundamental para a vida – é só uma questão de instante. Como todo o resto, talvez.
Aí você ouve como resposta:
- A vida não vale nada mesmo. Talvez por isso e por saber que a vivi intensamente até agora, pouco ou nada me preocupa a ideia de não estar agarrado (a) a ela.
A potência – que é a nossa nesse determinado instante – permite que sejamos o que somos. É só nossa. Não é a potência de mais ninguém. Por isso, é ela que nos discrimina – e identifica – em relação a tudo que não somos. É também incomunicável. Intransferível. Inalienável. Incompartilhável. Daí nossa solidão. Condição de nossa existência.
Porque somos ilhas afetivas. Em cada instante, não dispomos da potência de mais ninguém. E ninguém dispõe da nossa. Muitas vezes, a falta de solidariedade na potência nos irrita. Parece-nos inaceitável que outros, com quem contamos, não disponibilizem, num certo instante da vida, a mesma potência que nós.
A minha estará sempre disponível! E por favor: não confundir disponibilidade com a disposição.
Haja singularidade. Haja isolamento. Haja braços estendidos. Haja asas. Cada um na sua. Porque nossas sensações são nossas. Estritamente. Porque ninguém sente o que sentimos. Nunca sentimos mesmo o que sentem os demais. Por mais que nos esforcem para nos contar. Suas tristezas são suas. Suas angústias, medos e desesperanças também. Porque, mesmo quando damos causa à tristeza ou ao medo do outro, permanecem-nos dramaticamente exteriores. Inacessíveis.
No entanto, embora sendo outro em relação a nós, todo esse resto de mundo que não sai da nossa frente tem a ver com nossa potência. Em poucas palavras: esta potência é só nossa, nosso diferencial, nosso casulo. Mas, ao mesmo tempo, está à mercê do resto do mundo onde nos encontramos!  Querendo ou não, somos partes de um todo. 
Incomunicável, incompartilhável, inacessível... O que fazer?
Ter calma, muita calma nessas horas e exercer nossa/minha porção Zen-Rê de ser. (RR)
(Imagem: arquivo pessoal)

9 comentários:

  1. Olá, Regina!
    Ás vezes dá inveja das máquinas que simplesmente recarregam com energia ou óleo ou gasolina e pronto, tão novas! Pra nós, infelizmente, nem sempre "esfriar o motor" resolve. Mas teimosos, continuamos tentando!
    Bjs!
    Rike.


    P.s.: ainda não entendi o que foi que eu perdi!

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  2. Ei Regina! Do u remember me? Nos conhecemos na viagem de volta de Lisboa-BH, que acabou virando Lisboa-Rio! Q bom te reencontrar, adorei o blog, sua cara!!!! E, como dito, somos peruas demais e muito parecidas...vamos nos ver p um café e falar de vida...um beijo querida. Passe-me, depois, seu email. O meu é karinnebraga@hotmail.com Grandeeeee abraço, querida!

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  3. Ah pára, vc pega pesado, além de uma crônica linda, vc ainda posta uma música tão perfeita como essa. Apesar da Mariah C. ser uma diva que gosto bastante, mas essa música fico emocionado com o Rei do Pop cantando... Michael Jackson...

    Bjuxxxx minha linda...

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  4. Eu estou bem porque venho aqui, ora!
    Hahaha!
    Bj.

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  5. Passei pra retribuir o seu carinho com um poema...

    "OCÊIS É"

    "Ocêis é a pórva que fáis isprudí o meu coração peludo de tanta alegria;
    Ocêis é a pócinha funda onde eu afogo minhas mágoa;
    Ocêis é a lâmpida qui alúmia us meus torturósos caminhos...
    Enfim !!;
    Ocêis é o bárde de madeira chêin de vazamento do quár alêvantum por uma corda esgárciada e manivéla roncadeira o égo macaquistíco do fundo desse pôcin de aguas salobenta cum tudo esse carinho cocêis tem por EU.......

    AMOCÊISTUDOS
    Tatto

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  6. - Regina, minha querida... não seja tão radical! Todos temos nossos momentos de ilhas, mas não vamos largar de mãos nossas horas de arquipélagos, onde cada ilha reparte com as outras o sol e a chuva, as correntezas e a vida marinha.
    - E olha eu querendo ensinar o Padre-nosso ao vigário!
    - Bota potência nessa força, menina... abraços carinhosos!

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  7. A mestra é você.
    Mas senti uma pontinha de melancolia.
    Sabe aquela passagem do evangelho que diz...
    ... Sabeis por que uma vaga tristeza se apodera por vezes de vossos corações, e vos faz sentir a vida tão amarga? É o vosso Espírito que aspira à felicidade e à liberdade, mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar.

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  8. ENTÃO CHOREI COM A FALTA DE POTENCIA QUE NOS TEMOS DIANTES DE PESSOAS QUE INSISTEM EM NÃO DEIXAR QUE A GENTE PRATIQUE O QUE MAIS HA DE BONITO A SOLIDARIEDADE E A AMIZADE NÉ???É DURO QUANDO A GENTE SE ESBARRA COM GENTE QUE MINA A NOSSA CAPACIDADE DE AJUDARE A ENXERGAR QUE O OUTRO PRECISA DE SOMENTE UMA PALAVRA AMIGA E QUANDOA GENTE FALA"TUDO BEM? JA OUVE ""TUDO BEM QUE NADA MAS DEIXA QUIETO NÃO É DA SUA CONTA""!!! FALA SE NUMDA VONTADE MANDAR PRA PONTA DO BRASIL FALA??!!MAS DEPOIS DE TUDO QUE LI...SO SEI UMA COISA...DEIXE A GENTE AMAR E AJUDAR QUEM QUER NOSSO AMOR E NOSSA AJUDA NÉ?TEMOS QUE SER MENOS DISPONIVEIS PRA GENTE QUE VIVE RECLAMANDO E NÃO FAZ NADA PRA SER MELHOR ...FINALIZANDO CHOREI COM MARIAH CAREY E COM A LINDO HINO DE MICHAEL QUE GOSTAVA TANTO E NÃO SABIA..ELE QUIZ TANTO AJUDAR O MUNDO TAMBEM E SO QUE RECEBEU FOI GENTE QUERENDO MINAR SUA CAPACIDADE DE AMAR O PROXIMO VIU!!E PIOR QUE VI ISSO AGORA DEPOIS QUE ELE SE FOI..RE QUERIDA ANIME SE NÃO FIQUE SEM POTENCIA NÃO VOCE É MUITO QUERIDA E NOSSA POTENCIA DE AMOR POR VC É 1400 KWS TA BOM??BJS
    OTILIA
    ORBIGADA PELA VISITA SEMPRE NO MEU BLOG...

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