Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sábado, 7 de agosto de 2010

AO CONTRÁRIO

Primeiro ele entrega lápis de cera com cor. Preto, marrom e um toquinho de amarelo é a parte que me cabe. Deve ter visto meu avesso. É para fazer um desenho... Não escuto o restante do comando e no papel derramo, em forma de desenho, uma gota exclamação. Lágrima surpresa. Ocupa todo o espaço: preta e na sua ponta desponta um - único e minúsculo - ponto amarelo.
Tempo esgotado ele diz. Em seguida é para começar a escrever, só que com a mão esquerda. Inversão do hábito. Ajuda à memória, do esforço da infância para a escrita.
Vida ao contrário, inversa, esquerda, de banda. Com dificuldade escrevo sem idéia. Só pausa.
Agora pode escrever com a direita! Qual direita? A do avesso? 
Escrita ao contrário que não endireita o que já anda na contramão. Bem infantil diz o professor. Lembre-se dos tempos da alfabetização!
A...B...C...D... e tento buscar a minha criança alegre. Onde foi parar? Não consigo. Empaco. Sinto-me mais que uma mula teimosa, empacada... Encasulada. Encapsulada. Porque não vazou? Secreção pura lenta armazenada.
Bem infantil ecoa o professor. Retorna ao contrário e ressoa. Faz-me suar. É um soar... Retumba. Pulsa. Lateja.
Tempo esgotado diz ele. O tempo não pára.
Quem sabe na próxima atividade? Ativa a idade, o tempo, a vida... (Regina Rozenbaum) 

10 comentários:

  1. Bom dia, Rê Amiga!
    Devemos diminuir o nosso ritmo apressado com uma visão da eternidade do tempo, para não paracermos um navio que vai longe e já não se lembra do cais. Nada tem fim, tudo renasce de novo.
    Xião
    J

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  2. Rectifico: para não"parecermos".
    J

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  3. Regina, querida,
    A criança que há dentro de cada um de nós às vezes tem necessidade de se exteriorizar.
    Mas quando isso acontece nem todos que nos rodeiam entendem que uma criança tem dificuldades que ao adulto parecem estranhas.
    Se uma tentativa falha há que tentar de novo, ou mudar de rumo, sem perder o rumo :)

    Bom fim de semana. Beijinhos

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  4. O tempo não tem importância nenhuma, o que interessa é o que fazemos com esse tempo que nos é oferecido e tentar deixar, por cá, alguma coisita que valha a pena, para os que vierem no tempo futuro ;)

    Bjos

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  5. Oi, Rê querida!

    retirei os ponteiros
    setas afiadas
    no meu, tac-tic
    tic-tac não dá em mim.
    a corda.. acorda-me
    nos compassos de meus passos
    mas parou...enfim.
    retirei a corda e pulsei
    na pulseira que dela fiz
    e desenvencilhei-me do tempo
    na curva do arco íris.
    dedilhei lento
    tacteando um pensamento
    desenhei o som de um tempo
    em acordes dum Sol
    seguido de Re bemol
    ...ambiguidades
    extremas polaridades
    e me perdi em Si.
    dou comigo... reincidindo
    inverto-me
    reinvento-me
    saudoso da criança
    que fugiu de mim!
    e ponto por ponto
    parei no ponto final
    que mal colocado
    foi trocado por uma exclamação...
    e todo me troquei,
    ora doce, ora sal,
    o que emana do coração
    eu amei,
    criança quando faz, não faz por mal!

    Beijo e kandandos a atravessar tanto, tanto mar...

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  6. Não importa o quanto longe formos, estaremos sempre a olhar pra trás, mesmo a empacar um tiquinho, olharemos e não perderemos de vista o que fomos...o que somos.
    Ah, que texto tão convidativo a viajar de volta na própria vida...mergulhei na minha agora.
    Adorei divagar contigo, Regina intensa.

    Beijoooooooooo...
    Bom fim de semana.

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  7. Nossa Rê, amigamada...vc foi fundo...andou pelo tempo em profund-idade, um reencontro, uma saudade, talvez?!

    Essa viagem ao contrário, na contra-mão do tempo, parece que é como entrar num trem e o vagão andar para trás, a paisagem deslizando esquisita, recuando no tempo...e nada tem fim mesmo, nem mesmo o regresso, pq tem estrada adiante...

    Muitos beijos com afeto e gratidão, minha amiga. Muito obrigada pela tua carinhosa presença, viu??

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  8. J, amigo, amado!
    É verdade...."Rê" nascer todas as manhãs. OBRIAGADA por sua amizade-presença carinhosa sempre!
    Beijuuss n.c. + XIÃO

    Mariazita, amada!
    "Mudar de rumo sem perder de rumo"...já mudei e perdi o rumo...mas ando em busca de novo rumo!
    Obriagada por sua carinhosa visita.
    Beijuuss n.c.

    Isa, amada!
    Essa é realmente uma missão na qual me ocupo e quando o tempo está esgotado, esgotado está, aí percebemos o quê e como fizemos com o tal do tempo.
    Beijuuss n.c.

    Kimbanda, feiticeiro, amado!
    Vês como consegue buscar e nos brindar com essa criança poeta que jamais faria por mal?! É com passos lentos, sem alento, que refaço meu momento... Me perco no tempo, mas ele, generosamente, me doa mais! OBRIAGADA por essas palavras que demandou tempo de sua alma-coração.
    Beijuuss n.c.

    Milene, minina-ternura, amada!
    Não sabe como é aconchegante termos Pétala Rosadinha a nos acompanhar em intensas divagações...Nos deixa perfumada a alma. OBRIAGADA!
    Beijuuss n.c.

    Dê, moça linda de viverrr, amada!
    Passos ainda tenho que dar... muitos, para "Rê"encontrar-me. Beijos recebidos, desse afeto que não abro mão e onde encontro amizade gratuita.
    Beijuuss n.c.

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  9. 'Secreção pura lenta armazenada': por favor, saia depressa daí para que a 'criança alegre' retorne e se mostre em toda a sua pujança. Que bom: está chegando a hora e depois... depois é só paz, tenho certeza. Beijos

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  10. Ângela, iluminada, amada!
    Desejo messssmo por minha criança-alegre...e pela paz vindoura. OBRIAGADA, amiga, pelo carinho.
    Beijuuss n.c.

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