Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

OUTRO LUGAR...

                                                (Imagem: Karine Izumi)
Às vezes a gente quer estar em outro lugar...
Às vezes outro lugar está dentro da gente...
Às vezes há excesso da gente...
Às vezes há carência de gente...
Sempre você.(RR)

 Cê sabe que as canções são todas feitas pra você


E vivo porque acredito nesse nosso doido amor
Não vê que tá errado, tá errado me querer quando convém
E se eu não tô enganado acho que você me ama também

O dia amanheceu chovendo e a saudade me contêm
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem
Vem logo que esse trem já tá na hora, tá na hora de partir
E eu já tô molhado, tô molhado de esperar você aqui

Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija-flor,
De flor em flor eu quis beijar
Por isso não demora que a história passa e pode me levar

E eu não quero ir, não posso ir pra lado algum
Enquanto não voltar
Não quero que isso aqui dentro de mim
Vá embora e tome outro lugar
Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar
Amor, meu grande amor, estou sentindo
Que está chegando a hora de dormir.

domingo, 30 de janeiro de 2011

PRA FALAR DE SABORES...

BOOOMMM DIIIAAA DIA! Bom dia Luna, Mel, Scott e Max! Bom dia flores! Bom dia pássaros! Reizinhos do Zé Renato. Bom dia vacas! Minhas colegas - exuberantes - do outro lado da cerca. Bom dia Zara, Bianca, Dara e Sheik. Éguas e garanhão da raça mangalarga marchador (mineira) super premiados nessas Gerais.  Bom dia VIIIIDA!!! Que pulsa, brilhante sol, nesse anil misturado ao verde grato após tantos dias de chuva. Café da manhã demorado. Pressa pra quê? O tempo aqui é compassado pelas batidas do coração e da prosa, preguiçosa, que rende as primeiras risadas do dia. Vamos pelo pomar vendo as frutas da estação. Algumas - fora de época - nos ensinam que o tempo é relativo e alguns sentimentos reinam absolutos.  Chegamos a nossa capelinha que insiste em testar nossa crença que em breve será inaugurada.  Pausa para meditar e energizar. Fazendo o caminho da mandala – ida e volta – agradecemos: OBRIAGADA PAIII!!!
Da horta o “tomate em árvore” confunde a moça da cidade com o jiló (argh) e só mais tarde na hora da bóia é que seu sabor, doce, é inconfundivelmente degustado numa salada deliciosa.  Arroz, tutu à mineira, couve refogada, cupim assado. Prosa, alegria, risadas, amizade e amor são os temperos desse banquete. Pequenas preciosidades de vida que ,em simplicidade, são degustadas pelas papilas da bemquerência. Tenho ou não que me fartar? Desse pecado cometo e não me arrependo. Confesso: sou viciada e repito a pratada.(RR)






 Bom domingo procês!!!

sábado, 29 de janeiro de 2011

MINEIRAMAR

                                                                                                  ( Havana)
Quem não é mineiro talvez não entenda o que sinto em relação ao mar. Quando fui conhecer - pela primeira vez - me lembro bem. Tive medo. Olhava para aquela imensidão de água tentando enxergar o final dele. Desvendar os mistérios das águas. Depois veio a curiosidade: como colocavam sal dentro? Aí cheguei ao encantamento do por do sol e a mistura das cores na linha daquele horizonte infinito. Encontro do céu com o Atlântico. Posso ficar horas e divagando digo para mim mesma: Se D’us tem um escritório para despachar com seus velhos anjos e receber novatos, certamente, é naquelas bandas. Impossível não estar inteira numa praia. Ontem sonhei. Lancei uma convocação extraordinária: Reunião urgente, urgentíssima! Que todos os meus eus estejam comigo, amanhã, às 6h, na praia. Imaginei o tempo do sono suficiente para o alinhamento da galera (somos muitas). E agora estamos todas. Em pauta, o silêncio. Daquele de fora. Ausência de notícias. Que faz barulho em som diferente das ondas.
Por quê?
Lá no horizonte, agora, certamente, naquele clarão, estão discutindo algumas respostas.
Tocada pela luz do horizonte, decidi reforçar meu exército e arregaçar as mangas. Mutirão de nós para lidar com o inexplicável.(RR)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

JOÃO E MARIA

Nomes pequenos e simples. Nomes que identificam muitos brasileiros. Nomes carregados de história e significado.  Essa importância foi por riso abaixo numa conversa de buteco. Não me perguntem quem ou o porquê do início, mas foram levantados causus e mais causus de outras atribuições dadas aos nomes.
Antigamente - tempos de minha mãe - quando o sujeito chegava para cortejar, os pais iam logo classificando: mas é um João sem eira nem beira! E a pobre Maria recolhia e encolhia sua paixão.
Já em época onde as mulheres passaram a pilotar para além do fogão e ousando algumas manobras de mestres de trânsito escutam: Êêê Dona Maria!!! Isso quando o João que grita é um verdadeiro cavalheiro.
 E quem leva a fama das piadas?  Quem não conhece uma só do Joãozinho?  E a pobre da Mariazinha não poderia ficar de fora:
Em um lindo dia de Domingo de sol, Joãozinho e Mariazinha estão tomando banho de mangueira no quintal, nus.
Cansada de ver o Joãozinho a brincar com o seu “brinquedo”, Mariazinha diz:
- Joãozinho, eu também quero brincar com o teu brinquedo!
Olhando desconfiado, o Joãozinho responde:
- Nem pensar! Você já partiu o seu e agora quer partir o meu… 
Esses dois são tão agarrados que - papais modernos - decidiram batizar uma pimpolha de Maria João sem direito a reclamação.
Porém há “Marias” que entalam na garganta. Ainda mais quando escritas assim. Entre aspas, escondidas por um apelido e que, generosamente, oferecem ajuda para “Joões” em troca de seu brinquedo. Fico rubra. Não de vergonha. De ira. Mas, para não ganhar o vermelho lá de baixo, num “desenrubramento” forçado silencio meu pecado.
Particularmente prefiro a história de João e Maria. É um conto de fadas que mesmo falando de pobreza, abandono, medo, insegurança tem um final feliz! Final construído com a ousadia de quem jamais desisti. Deve ser essa minha fase ousada: a do sonho. E isso "Maria" nenhuma rouba.(RR)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

EU PODERIA TER....

Eu poderia me calar...
Eu poderia esquecer...
Eu poderia negar...
Eu poderia fingir...
Mas morreria afogada no silêncio - desmemoriado - da hipocrisia!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

OUSADIA

Quando conto pra vocês que tudo acontece num encontro entre amigos não brinco. Já tínhamos bebido umas e outras quando Júnia, muito séria, pergunta à nossa anfitriã:
- Syl você sabe que tipo de sabão líquido está na pia do banheiro? Quais os componentes da fórmula?
- Não! Por causidiquê?
- É que quando fui lavar o rosto arderam, muito, meus olhos!!!
Como ambas estavam sem aquele adereço indispensável para moças na maior idade, sobrou para mim que estava com o meu já inseparável e fashion.
Caí na gargalhada. E elas, ansiosas, clamando por uma resposta. Leio uma das frases:
- Sabonete íntimo. Elaborado para a fase mais ousada da mulher!
- Como assim?! Perguntam.
As risadas desse num fazer nada - a uma da madrugada - não acordaram os que já estavam dormindo.
Na composição da fórmula tínhamos mentol e hortelã. Bem refrescante!
Atrevimento, coragem, audácia substantivos necessários para qualquer fase da vida. Às vezes esquecemos e em inércia acreditamos pertencerem – somente - à juventude. Quantas vezes ouvi autocríticas duras do tipo: estou me sentindo ridículo, isso não é para a minha idade, que impertinência...
Ficamos as três pensando em meio às risadas numa enquete para o dia seguinte. Qual seria a tal fase – considerada - para os meninos amados? Como nós mesmas divergíamos nas respostas, já antecipávamos as mesmas diferenças para eles.
A princípio reinou a cara de paisagem. Misto de desconfiança (o que querem, afinal, ouvir essas meninas?) e censura (pior que em tempos de ditadura).
Na seqüência o amarelado sorriso denunciante. E para finalizar o silêncio nada inocente. Mas afinal, há ou não a fase mais ousada da mulher? Ah e antes que me esqueça, vale a advertência da vivida VóJúnia que ficou com os olhinhos ardidos: "há que se aprender a ler as linhas e as pequeninas entrelinhas de qualquer rótulo"!(RR)


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PRA DIZER DE FLORES, FRUTOS E VIDA...

Prometi que ia trazer as flores que conseguisse. Trouxe mais. Os frutos, o céu, os animais em convivência harmoniosa. Vida sagrada
 Flamboyant de jardim... Prestenção na mistura das cores... É uma combinação de tons que não há Lagerfeld que copie!
Sei o nome nauuuummm... só sei que ao entardecer mudam de cor... do roxo ficam azuis
Rezedá. Me lembra os cachos dos ipês e fico rosada vendo-o lá, misturado ao verde agradecido pelas chuvas.
Dessa só me lembro de soprá-la. Como quando era criança e corria pelos jardins a catá-la e vê-la voando, livre, num leve sopro do vento.
Flor do quiabo. Não é linda? E um franguim cum quiabu? Hum...dilícia!
Abiu. Conhecem essa fruta? Uma gustusura e não sei dizer se por todo nosso Brasil ela vinga. Por aqui os pés tão carregadinhos. 

 Quebrando o galho da Syl com as acerolas. Vitamina C pura + risadas= VIDA PULSANTE! 
As mangueiras tavam carregadas e faziam a festa dos reizinhos do Zé. Passarinho nessas terras vem em primeiro lugar. E se tem morcego só damos uns gritos!
Figo aqui não tem casca pintada de branco de tanto agrotóxico. Aliás esse veneno nem existe no dicionário da fazenda.
Essa aqui nem careço de apresentar. Tirei prá afagar meu amigo Peludim, Xipán Zeca amado meu. Ok... NOSSO!
 
Já comeram a goiabada feita em tacho de cobre e acompanhada do famoso queijo mineiro? Romeu e Julieta morreram disso...
Minhas colegas - exuberantes - estranhando esse flocos de neve no pedaço. E Max livre, leve e solto fazendo amizade.
 Zara, Dara, Bianca e Sheik éguas e garanhão da raça mangalarga marchador (mineira). Orgulhos - premiados -  de seus donos.
Não é o Caminho de Santiago de Compostela, mas a caminhada por essa mandala é energização pura. 
E por hoje termino deixando esses Beijos procês, tudim, amados meus. Mas deixo ainda para ouvirem, esses mininus mineiros quiném eu, prá modi embalar ocês nessa terça-feira.(RR)
Amor de Índio
Composição: Beto Guedes/Ronaldo Bastos
Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo o cuidado
Meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver a teu lado
Com arco da promessa
Do azul pintado
Pra durar
Abelha fazendo o mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor
E ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for
E ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado
Meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver
No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser tudo
Sim, todo amor é sagrado


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PRA VC EU DIGO SIM

  
De olhos fechados
sorrindo com a alma
meu coração [pra você] diz sim
Há amores que se dançam juntinhos
Como dedos grudados
Dois que formam um
Há amores que se dançam separados
E em tempo (des)espera
Com próximo futuro
Hoje e sempre te levo comigo 
Se amar fosse um verbo perfeito
se fosse razão
eu não estaria deste jeito
...(RR/HR)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PRA DIZER DE FLORES

Nunca vou entender a métrica da natureza. A simetria das flores, nuances das cores, equilíbrio em perfeita poesia...  Fico extasiada com a explosão - Divina Presença - nessa forma de vida! Agradeço minha visão e a possibilidade de enxergar, sentir tamanha ENERGIA, que a lente da máquina mais poderosa não capta. Já as da alma... Vou recarregar meus sentidos nesses próximos dias... Vou prá Santa Matilde respirar o ar puro em montanhas restantes dessas minhas Gerais. Oxigenar o sufoco da saudade.Inspirar amorozidade e expirar a gratidão pela VIDA!!! Essas flores deixadas para vocês, com amor, foram as que colhi da última vez que lá estive. Não sei quais e se acharei outras, mas trarei na bagagem de volta o ar que me falta dessesperar...












Flor rara essa última, irmigamada, de nome Syl... Arremate mais que perfeito, abençoado, na estrofe de vida nossa de cada dia!(RR)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ESCOLHAS...DE PERFUMES

Já contei aqui que meu olfato é dos meus sentidos o mais apurado. Tenho que dizer –infelizmente – que ele não me vale para sentir e afastar hipócritas, falsos moralistas, penetras e congêneres. Em compensação sinto cheiros, odores que exalam das essências. E ficam de tal maneira impregnada em mim que quase me afogo em saudades. Sinto falta do cheiro de minha mãe...
Adoro umas gotas de água de cheiro depois do banho.  Borrifar algumas - apropriadas - nos lençóis alvejados. Não gosto do odor de amaciante.
Perfumes são mais uma das muitas paixões.  E quando misturados com o cheiro de quem usa dando aquela nota singular e inesquecível... Misericórdia!
Curiosamente gosto e uso os masculinos. Ficam absolutamente diferentes em mim.
Certa vez estava eu andando pelas ruas de Sampa quando fui, educadamente, abordada por um senhor:
- Com licença. Posso lhe perguntar o nome do perfume que você está usando?
- Dou-lhe um doce se adivinhar!
- É que gostaria de dar de presente para minha esposa.
- Ok! Dou-lhe três chances... Porque sei que o senhor deve conhecer e até mesmo ter.
Era o perfume masculino da vez. Na moda.
O senhor ficou com aquela cara de paisagem quando finalmente lhe disse que estava usando um Polo.  O verdinho mesmo.
Um perfume varia de pessoa para pessoa, pois cada uma tem a sua própria química baseada nos genes, tipo de pele, cor de cabelo e até mesmo no estilo de vida que leva e no ambiente em que vive.
Não é um simples cocktail de odores misturados por um químico. Da mesma forma que não é suficiente misturar as cores para fazer uma pintura. Um perfume é, em sua origem, criado por um artista que procura exprimir e transmitir aos outros uma emoção pessoal.
Quem usa não deve abusar e há que se saber portá-lo! Desenvolvê-lo no tempo como fogos de artifício: explode com as notas de cabeça que devem prender a atenção desde o primeiro segundo... Evolui e se enriquece gradualmente com as notas de coração... Aí ele permanece com as notas de fundo que dão o rastro e perduram na recordação.
Na química dual prefira a recomendação da natureza. Procure um perfume diferente de você. Mas, para ter sucesso nessa mistura acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão. Sinto cheiro de anjo no ar.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PELE

Cada um tem seu calcanhar de Aquiles. Somatizamos. O que está inconsciente aparece em denúncia no corpo. Ele dói, sangra, lateja, purga, vibra, incha, vacila, anda, envelhece.
Desde a adolescência meu Aquiles foi a pele. Acnes, cistos, alergias. Se pensarmos que ela é nosso invólucro protetor, o meu sempre teve rasgos. Às vezes imperceptíveis. Outras bem visíveis e marcadas.
A pele – dizem os que fazem leitura corporal – representa nossa individualidade. Problemas com ela significam que achamos que ela está sendo ameaçada de alguma forma. Sentimento que outros têm poder sobre nós. Ensinam os terapeutas corporais um dos modos mais rápidos de curar problemas de pele. É se nutrir dizendo - mentalmente - centenas de vezes por dia: “EU ME APROVO”. Retomando assim o nosso próprio poder.
Mas, antes dessa tentativa e tentadora aprovação fui à dermatologista para mais uma consulta. Além dos problemas de sempre havia percebido o aparecimento de montes de pintas vermelhinhas. Salpicadas por toda minha exuberante conserva, mais pareciam uma alegoria. Catapora estilizada.  Tamanhos disformes e absolutamente dispersas não tiraram nenhum dez desses juízes habitantes de mim.
Enquanto a doutora me vira daqui e dali, examina com lupa e uma luz que ilumina até as rugas da alma, pergunto:
- O que são? Dá prá queimar?
- Não se queimam, hereditárias, pintas senis.
- Pintas o quêêêê???
Gentilmente ela acionou a tecla conversora de minha negação auditiva.
- Pintas de envelhecimento. Da idade.
Soltei um TAQUEOSPARIU, sem cerimônia, seguido do já não valem as rugas, as acnes, as manchas?! Transformo-me assim, sem nenhum aviso prévio, em farturas de mini joaninhas?!?
Rimos. E a doutora gargalhou, quando terminei afirmando: quando a força da idade com a gravidade atua sobre a gente não tem jeito nauuummm!
Sobreviverei a mais esse bônus da minha inteira idade. Vou ter que APROVAR!!! Por enquanto tô de recuperação.(RR)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

AFETO QUE NÃO ENGANA: ANGÚSTIA


      “A obra de arte é o resultado feliz de uma angústia contínua.” 
                                     (Carlos Drummond de Andrade)
Nesse exato instante em que me proponho a escrever o tema “a angústia”, a simples falta de uma definição clara quanto ao modo de abordá-lo já confere à minha tentativa a tonalidade de uma experiência angustiante. Como introduzir a angústia? Pergunto-me, angustiada, nesse momento.
Seja como for, o angustiante estado de errância, em que ora me encontro, faz-me notar que a angústia atesta uma exigência que nosso funcionamento psíquico impõe de localizar aquilo com o qual temos que nos haver.
Penso, de qualquer forma, que a maioria das pessoas já se viu, ao menos uma vez na vida, em uma daquelas situações de angústia que nos levam a puxar os cabelos ou a morder os lábios, em um esforço ora mais ou menos desesperado de localizar, na superfície do corpo, o mal-estar que não se consegue determinar.
Qual a sua aplicação em nossa contemporaneidade, em que ela aparece de maneira quase epidêmica, sob a forma de múltiplas fobias, depressões ansiogênicas, a angústia da criança insuportável?
Na atualidade, ela é cada vez mais medicada. Lacan nos ensinou que a angústia é um afeto que não engana e não se deixa capturar pelos discursos. Contudo, assistimos, em nosso tempo, a uma tentativa de reduzir a angústia a um déficit de adaptação do corpo ou a um erro cognitivo da capacidade de juízo. Assim, busca-se eliminar a angústia confundindo-a, muitas vezes, com a fobia, a chamada síndrome do pânico e a depressão.
Miller nos propõe que devemos passar sem a angústia que fracassa e que faz fracassar, mas com a condição de nos servir dela. De nos servir do objeto que ela produz como de um instrumento próprio. Nossa política não é a do apagamento da angústia, mas do seu bom uso. Isso significa colocar a causa como ponto central em nossa experiência que busca fazer saber. A presença e o tato do analista é que permitirão ao sujeito uma nova regulação do encontro com o real que a angústia testemunha.
Marcar a diferença entre a concepção da dimensão da angústia e não pretender nem avaliá-la, nem convertê-la em um transtorno, ou ainda, tentar curá-la são esforços que empreendemos no divã nosso de cada dia.
Se quisermos interrogar em que sentido a angústia, enquanto afeto que não engana, nos serve como índice de certeza a orientar nossa experiência, cabe antes avaliar a natureza daquilo que ela sinaliza. Para tanto, não basta somente repetir com Freud que a angústia sinaliza a emergência de uma exigência pulsional não admitida pelo eu. É preciso definir a forma que toma a emergência dessa dimensão sinalizada pela angústia, assim como os efeitos que ela produz sobre o sujeito.
Para a psicanálise, todavia, a angústia, embora certa, ainda é uma proteção, um sinal, uma expectativa. O que interessa para a psicanálise é evidenciar, a partir da angústia, o que ela ao mesmo tempo esconde e sinaliza: a Hilflosigkeit, designada por Freud como condição estrutural do desamparo humano, inicialmente ligado à sua prematuridade específica e posteriormente perpetuado pela incidência desarmônica do desejo do Outro sobre o sujeito.
Se a angústia é justamente o afeto que sinaliza a proximidade dessa falha como lugar sem relação, a psicanálise por ela se orienta para conduzir o sujeito ao ponto de impasse em que se produz a imposição do ato de escolher.  Faça sua escolha!(RR)
(Imagem: Tela de Mirtilo Gomes)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

NUNCA e SEMPRE


Hoje acordei de birra. Birra dessas duas. Tomei um belo banho para ver se com bucha natural elas desgarravam. Essas duas palavras já paguei língua. E como... Você não?
Com um dicionário - de vida - a meu dispor, entre o n e o s poderia ter grudado na ousada percepção dessa química rutilante e saborosa... Antes que se apresentasse a saudade de sempre... Quem sabe amanhã?!

domingo, 16 de janeiro de 2011

QUE TREM É ESSE?


Pedi vinte e quatro horas de sua vida
Ganhei cento e vinte e mais
Eram só interrogações
Você transformou em exclamações
Louco já era eu
por resolver este mistério
Eu sou prosa
Você é verso
Maldito nó que me aperta
ora no peito, ora na garganta
mas me mantém vivo e alerta,
é esse amor que em mim manda
É selvagem, gato
Sou leoa, domesticada
Mulher, menina, meu encanto
Alegria de viver
Preciso dessa tua alegria para acreditar que é possível e vale a pena contar em ordem decrescente o tempo que falta para ACONTECER...
De batismo rainha
De presente um anjo
Entreguei a alma reversa
Pintou sua essência coração
“Tudo muda, tudo parte
Tudo tem o seu avesso.
Frágil a memória da paixão...
É a lua. Fim da tarde
É a brisa onde adormeço
Quente como a tua mão”

Quero dividir
Precisa, carece somar
Maldito nó que me aperta
ora no peito, ora na garganta
mas me mantém vivo e alerta
é esse amor que em mim manda
Prefiro saber-te, mesmo não te tendo
a perder-te por um segundo... Amor!
(RR/HR)


sábado, 15 de janeiro de 2011

CEBU


Fiquei encantada com esse vídeo. Como se isso fosse novidade para vocês. Recebi da amigamada, Eli, que além de colega de profissão de longa data (e podem colocar longa messssmo) comunga várias afinidades, inclusive essa: amor às artes. A mensagem veio acompanhada das seguintes explicações:
“Estes são os dançarinos prisioneiros do Centro de Detenção e Reabilitação da Província de Cebu. Têm imensas coreografias - que fazem sucesso, muitas no youtube e que foram uma idéia de Byron Garcia, um consultor de segurança do governo da província de Cebu. Ele afirma que a nova rotina de exercícios melhorou "drasticamente" o comportamento dos presos e dois ex-detidos transformaram-se em dançarinos desde então. Usando a música, pode-se envolver o corpo e a mente. Os prisioneiros têm que contar, memorizar passos e seguir a música, disse Garcia à BBC. Os prisioneiros dizem-me: é preciso colocar a mente longe da vingança, da loucura, de planos para escapar da prisão ou juntar-se a uma gang, acrescentou Garcia. A dança é obrigatória para todos os 1.600 detidos na prisão de Cebu, exceto para os idosos e doentes.”
Logo de cara perguntei: Província de Cebu? Onde é isso? Será que não é sebo? Aquela coisa detestável (para mim) que falo o tempo todo com os mininus do açougue:
- Até hoje não aprenderam? Gorduras bastam as minhas para conviver! Limpa tudim tudim. Lipoaspiração nelas por favorrrr!
- Mas, DônRegina assim a carne fica dura, perdi o sabô. A gordurinha macía ela!
- Dá prá fazer ou vou ter que implorar?
E essa conversa já dura anos e mais um século! Já a minha conserva...só meio.

Voltando ao vídeo. Fui buscar no Google minha ignorância geográfica e adianto assim o serviço para vocês: Cebu é uma província das Filipinas, localizada na região de Visayas Centrais. É constituída pela ilha de Cebu e outras pequenas ilhas próximas. A área total é de 5088 km² e tinha em 2007 cerca de 3 848 919 habitantes. (Fonte: Wikipédia)
Então agora, podem assistir em torno de quatro minutos dessa arte presidiária. Homenagem a Michael Jackson. Depois me contem, se fizéssemos isso por aqui nos nossos Tremembé, Bangu 8, Catanduva e Cia ltda. o que aconteceria.

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