Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

domingo, 20 de dezembro de 2009

LOUCOS E SANTOS PARA ESSE DOMINGO



Oscar Wilde - 1854 a 1900.

Fundador do Esteticismo, movimento que defendia "o belo com antídoto para os horrores da sociedade industrial", era um homem extremamente social, levava uma vida mundana, frequentava a sociedade, era extravagante e excêntrico, mas nada disso atrapalhava sua criação literária. Escreveu peças, "O leque de Lady Windemere", "Uma mulher sem importância", "O marido ideal", etc, novelas "O fantasma de Canterville", etc, mas sua obra mais conhecida é o romance "O Retrato de Dorian Grey", que todo mundo já leu um dia. Era casado e teve 2 filhos. Em 1895, no auge de sua fama, foi acusado e condenado por "práticas homossexuais, obscenidade e sodomia" e ficou encarcerado 2 anos com trabalhos forçados, o que devastou sua saúde e fulminou sua reputação. No terrível período de sua prisão, ainda alimentando o amor dentro de si como estratégia de sobrevivência, escreveu "De Profundis", "Balada do cárcere de Reading", "A alma do homem sob o socialismo". Sobreviveu por 3 anos após sair da prisaõ, vivendo de maneira humilde, praticamente sozinho, enfraquecido fisicamnete, mas mais culto e mais filosófico. Transcrevi abaixo a íntegra de "Loucos e Santos", uma perfeição de texto que tem que ser lido, no mínimo, com reverência. (Fonte Internet)

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos.Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso.Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice !
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

2 comentários:

  1. Por acaso encontrei seu blog...a internet tem destas coisas...ao acaso se encontram as palavras certas. Adorei esta sua descrição sobre a Amizade..concordo plenamente!!
    um abraço lusitano. isabel

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  2. Isabel
    Bem vinda e volte sempre! Eu também achei bacanérrimo o que Oscar Wilde escreveu.
    Beijuuss brasileiros n.c.

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