Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

AUSÊNCIA




Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.


No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.


Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada

Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.


Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.


Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.


Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada. (Vinicius de Moraes)

9 comentários:

  1. Bem, quer mesmo que eu chore....o Vinicius, grande poeta mesmo...sabe falar o que a gente sente...sabe colocar as palavras naquilo que vai cá dentro...
    A voz também toca...
    Obrigada minha amiga!

    ResponderExcluir
  2. Nossa..fui lendo...lendo...e pausei no meio...refleti...senti...deu ainda tempo de pensar "nossa...Regina...que poesia!"...segui lendo...respirei mais forte...mas cheguei ao fim...e aí vi...Vinicius.
    Talvez por isso ele tomava whisky...para de fato manter sobre controle esse grande sentimento que havia dentro dele...
    bjs
    lindo poema meeesmo
    Obrigado pela visita lá...respondi comentários por lá.

    ResponderExcluir
  3. Ausência também é um tipo de presença!

    ResponderExcluir
  4. Regina Barrada no baile jamais, super bem vinda e querida. Vinicius também apareceu por aqui e como sempre uma escolha super bem feita a sua. E nada de me deixar sem comentários ok? sua presença me enche de alegria. Beijos e seu blog esta super interessante e muito lindo

    ResponderExcluir
  5. Tá vivendo um momento "Vinícius de Moraes", moça romântica?
    Seus leitores devem estar amando o presente. Eu pelo menos estou.
    Obrigadinha!

    Beijocas, boa quinta-feira.

    ResponderExcluir
  6. Isabel, diva, amada!
    Chora nauuuummm, só se for da mais pura emoção! Daquela que as lágrimas se aproveitam, para ir lavando a alma, o coração e renovando seu ser para sentir mais e mais...
    Beijuuss n.c.

    Júlio C.,amado!
    "Poetinha" não era fácil nauuummm rsrs Sabe, todas as vezes que ouço, leio e releio não só suas poesias, letras, como também de tantos(as) outros(as)entendo, perfeitamente, o conceito "SUBLIMAÇÃO"! É a arte a manifestação mais direta, para esses seres não terem sido internados nos porões da loucura... Haja vista o trabalho que Nise da Silveira fez (dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia). Imagina se Vinicius tivesse passado por uma dessas???
    Beijuuss n.c.

    Noé, seja muito bem vindo!
    Verdade... E pelo comentário parece-me outro "colega" também. É ou não é? rsrs Volte e será sempre acolhido nesse nosso Divã!
    Beijuuss n.c.

    Fátima, amada!
    Como o Júlio escreveu... de tirar o fôlego!
    Beijuuss n.c.

    Aninha, amada!
    É que a gente escreve, escreve, e de repente pode ter escrito tanta bobagem que o "proprietário" do blog quer a gente maiiisss nauuuuummm rsrs. Se te encho de "alegria" tá de excelente tamanho prá mim!
    Beijuuss n.c.

    Pétala, perfumada, amada!
    ROMÂNTICA desde que me entendo por gente rsrs Uma manteiga dirritida e quero "morrer" assim: esperançosa, romântica, dirrritidinha...
    Beijuuss n.c.

    ResponderExcluir
  7. Olá querida e amada Rê:
    Ausência por mares revoltosos na espera de mar chão, que leva a nau a poder aportar. Por vezes já não existe o pontão esperando para acostar, de novo se faz a mar alto na esperança de ter errado os cálculos no astrolábio, vezes sem conta tentará o porto seguro na teimosia de entrosar o casco e o acostar. É a esperança de finalmente outra paisagem que não é só mar à sua volta, avistar, talvez uma verde e colorida cidade jardim.

    Kandandos meus a atravessar tanto mar...

    ResponderExcluir
  8. Kimbanda,amado!
    Venho aprendendo, talvez, a mais árdua lição: exercitar uma tal de paciência... Não tem sido nada fácil mas, como "guerreira" que dizem que sou, não desisto, insisto e persisto. Não foi você que nos "ensinou" (Ângela amooouuu) que cai oito e levanta nove??? Pois então? ESPERANÇA tenho todos os dias e isso nada, nem ninguém me tira! E você, feiticeiro que és, trate de, realmente, fazer uso de suas próprias palavras! Caia oito e levante mil, até avistar a paisagem que buscas.
    Beijuuss n.c. do lado de cá do Atlântico

    ResponderExcluir

Passou por aqui? Deixa um recado. É tão bom saber se gostou, ou não...o que pensa, o que vc lembra...enfim, sua contribuição!

Ocorreu um erro neste gadget