Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

sábado, 19 de junho de 2010

CARTEIRO: DÁ UMA SAUDADE...


Tenho saudades dos velhos tempos quando esperava, ansiosa, por uma carta. Na casa de minha mãe - só mulher - quando dava o horário do carteiro passar era um alvoroço só. Lembro-me, inclusive, do Seu Zé que não só sabia os nomes de cada uma de nós, mas que já adiantava se havia ou não algo para mim: “Hoje só tem para Léa e Mary”, “Só contas para D.Lucy”, “Regininha, hoje tenho algo para você”. Tanto quanto Seu Zé, essas cartas eram pessoais e personalizadas. Além da letra podia vir dentro delas uma pétala de flor, um pedacinho de algodão perfumado, uma figurinha com dizeres que me levavam à lua, um desenho feito com capricho, enfim, um pedacinho daquela pessoa. Quando fazíamos amigos ou namorados de outros estados, quanto mais distante maior a espera. E de outros países? Os cartões postais selados e carimbados me faziam, por si só, viajar através deles. Ainda tinha a música Mr.Postman, interpretada pelos Carpenters, para maximizar a espera. Lembram-se dela?
Veio toda essa modernidade que facilitou muito a comunicação e extinguiu além da  ansiosa espera, a pessoalidade. Minha irmã que mora em Sampa, de vez em quando, ainda me manda alguma coisa pelo correio. Eu não me lembrava quando fui à última vez, numa agência dos correios, até fazê-lo no mês passado. Era para enviar uns mimos, daqui das Minas Gerais, para uma amiga que mora na Espanha. UAU! Fiquei boquiaberta com tamanha organização: você retira da máquina uma senha, para ser recebida de acordo com o que quer – correspondência, telegrama, malote, encomenda, sedex – é rapidamente atendida e numa educação e paciência que quase não acreditei! No meu caso – um sedex – existem várias opções de acordo com o gosto, ou melhor, o bolso do freguês. Depois de tudo bem preenchido, organizado dentro da caixa, me entregaram um tíquete com uma numeração para que pudesse, via site dos correios, rastrear por onde andava meu sedex. Pode? A modernidade também chegou aos correios e meus mimos nas mãos devidas. A resposta dela chegou rapidinha: via e-mail! Tempos mais que modernos: práticos. Saudades do Seu Zé...

11 comentários:

  1. Li e gostei muito. É verdade...era muito mais "pessoal" o contato por carta. Imaginar que aquele papel tinha estado nas mãos da pessoa amada possibilitava mais envolvimento dos sentidos pois a gente "abraçava" a carta, cheirava, andava com ela pela casa com aquela cara de quem viu um passarinho verde! E quando respondia, mandava para a pessoa as mesmas possibilidades do tato, do cheiro, da "presença.
    Quando minha filha, aos 16 anos, começou a namorar com um menino que morava em outra cidade, sugeri a eles esse tipo de comunicação. Eles aceitaram e logo estavam curtindo as cartas. Foi legal e despertou na minha filha a curiosidade sobre "o meu tempo"... rsrrsrs.
    Enfim, que saudade dos velhos tempos... a vida passava mais devagar e os sentimentos tinham mais tempo para amadurecer...
    Beijos.

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  2. Olá Ré.
    Ainda saltei, vi o seu post e fiquei a recordar esses tempos. Andavam a pé e de bicicleta. Fardados e traziam essas cartas cheiínhas de saudade, de amor e quantas vezes nos enchiam de uma felicidade que transbordava por todos os poros.
    Lembro a minha mãe beijar as cartas dos filhos que tinham ido para África, para a guerra, e depois, apertava-as tanto ao peito. Podíamos ver seus olhos rasos de lágrimas que tudo molhavam.
    Depois de lermos as cartas das nossas amigas, onde ninguém nos visse, procurávamos um sítio para as esconder.
    Aqueles segredos eram só nossos.
    Podíamos dizer algumas coisas para quebrar a curiosidade, mas o principal era só nosso. Mais ninguém saberia dos nossos segredos.
    Ficávamos tão felizes.
    Estávamos horas a imaginar coisas para responder na volta postal. Procurávamos uma caligrafia cuidada a melhor que conseguíssemos fazer....
    Olha Ré ... fiquei aqui a sonhar nos meus tempos
    Beijinhos por tantas recordações.

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  3. Eu não tive a sorte de ter um carteiro tão pessoal assim Regina, mas durante a adolescência vigiava constantemente a caixinha do correio ansiosa pelas cartas. Que acredite você chegavam aos montes, seu texto me deu uma imensa saudade daqueles tempos. Aproveitando a inspiração vou escrever algumas cartas contrariando toda tecnologia. Lindo seu texto

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  4. Oi Regina! Concordo contigo! Tem algumas modernidades que vieram acabar com aquela pessoalidade que tu diz.
    Principalmente o celular, que pode ser muito útil, mas é com boas recoradções que lembro do velho telefone à ficha! Voce está numa conversa, daqui a pouco toca celular! O bichinhoi não dá trégua prá ninguém...
    Ninguém vive mais sem ele! Virou febre...
    Quero então deixar um abraço, obrigado pela tua visita, até a próxima.

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  5. Ninguém é mais solitário do que aquele que nunca recebeu uma carta ...

    Beijo querida amiga

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  6. Há muito tempo não vou ao Correio, e gostei de saber como está tudo tão organizado. Que bom!

    Eu também, como você, sinto um pouco de saudades das "tais cartas", pois hoje em dia, nem cartão de natal nos chega pelos carteiros...rs

    Um abraço, e tenha um ótimo domingo verde e amarelo.

    Cid@

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  7. Também adorava cartinhas. Às vezes as escrevia pra ninguem, muitas vezes para meu pai, algumas vezes cheguei até a me corresponder com gente desconhecida. Sempre cheias de desenhos miudinhos e às vezes uma florzinha seca. Era uma delícia. Agora fico só no email mesmo.

    Rê, obrigada pelas palavras de apoio no meu blog. É uma força e tanto.

    Beijin.

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  8. Ei Minha Rainha!
    Estamos todos esperando não o Seu Zé, mas você(s) aqui em casa para assistir o jogo! Dá prá atender o celular????
    Beijão nocê
    A.Augusto

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  9. Oi Rê querida amiga:
    Por aqui vai tendo toda essa tecnologia e atendimento personalizado, até a ajuda para embalar da melhor forma o tipo de objectos enviados. Informam-me para, dentro país ou para fora, do tempo provável que vai demorar a chegar a encomenda e, o recibo que possibilita acompanhar o estado da mesma é uma segurança. MAS também tem carteiros porta a porta muito simpáticos e cordiais. Há excepções e o da minha rua é o caso, mas essa seria uma estória longa, talvez um dia dê uma postagem.

    Na verdade temos saudades desses tempos, mas já não viveríamos sem as possibilidades e conforto que esses avanços nos trazem.

    Gostei de ouvir os carpenters, saudosos tempos, soube-me bem viajar a uns bons anos atrás.

    Beijo e kandandos a atravessar tanto mar.

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  10. Oláaa Regina...passando rapido. Se assim não o fizer...ficará loongo isso..rs...
    So queria dizer (não direi: "direi apenas 2 palavras!rs...) que EU sou dessa estirpe que escreve cartas em papel...faz 'background', ou no vocabulario das mesmas, faço desenho sobre o texto, que na verdade ficam no fundo!rs... se for endereçada a uma mulher, porque não perfuma-la, ou apenas 'aquele' talquinho que confere perfume e um certo 'toque' no papel para quem for pega-lo para ler. Ah...sou sim...e tem mais, VOCE me antecipou...e tudo por causa das provas!...rs...porque já havia falado sobre isso aqui pelo blog, creio que com a Dri Andrade (do infinitoparticular.blig)ou a Denise. Deixo que os cimentados corações achem que isso é brega, 'gay' ou 'demode'(já esqueci de novo a grafia!kkkk..mas garanto que não é P.I.A.), porque se há oportunidade escrevo. Mando foto e o que der e puder!kkkk...(ainda não mandei um elefante pra ninguem...muito menos branco!rsrs)
    A ideia do Salão de Festas (estas sabendo por off do que se trata?) saiu em partes dessa estória de cartas em papel. Eu falara com a Dri e com a Monica (sentimentalidades todas.blogspot) que traria algo diferente...e diz respeito as cartas em papel. Mas...
    porque estou falando tanto? porque ninguem está aqui pleiteando direito sobre propriedade intelectual!...rs...
    Porque, talves, é a euforia tipica de um bipolar (que não sou - e hj é a segunda vez que digo isso!..não sou..não sou...não sooooou meeeesmo!rs...) que se empolga ao ver a mente encontrando iguais ('num' mundo atual tão sem 'mentalidade')
    ...que legal...gostei do que vi, do que li... e para finalizar,
    vou copiar. pronto.rs...
    um bj Regina...e passar aqui é sempre um momento impar.
    Adoooooro seus coments e preciso falar sobre isso...mas veja, ainda bem que disse que não eram apenas 2 palavras.
    bjs
    julio

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  11. Há coisas da 'antiguidade'(= oposto de modernidade) das quais não abro mão. Acho que jamais lerei um e-livro: tenho muito prazer na sensação de manusear um livro de papel, por exemplo. E amo escrever cartas. Fico triste quando chego a BH e na caixa de correio só encontro faturas... Ainda existe alguém do planeta antigo por aí? Bjs

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