Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

AMOR É PAZ


Difícil a paz no encontro humano, porque ele está vivo cercado por palavras atropeladas, explicações febris, idéias infeccionadas, teorias leprosas e lógicas estupradas. A paz não concilia com nenhum sentimento. Arisca e exigente, só aparece quando não há sintomas de medo, culpa, interesse, pena, dependência, ciúme, possessão ou cobrança. A paz não é definida, é adivinhada; não é definida ou conquistada: ou surge e se impõem ou foge assustada. Qualquer dominação, dependência, reverência, temor ou carência expulsam-na. Rainha das sensações, ela se engendra em solidão, silêncio e entrega. Parecida com a esfinge ela diz algo quase igual – decifra-me e devoro-te. A paz não se tem. Ela é que nos tem, rainha, deusa, força absoluta, exigente e casta porque sabidamente é um estado superior do eu externo, ante sala de qualquer contato maior e transcendente. Ela foge do campo do eu porque seu castelo é no território do mim.
A paz é a única medida mais ou menos precisa do que é amor. Por ela, ele se define e transluz. Se paz não surge, então o sentimento – ainda que intenso e profundo – poderá ser tudo, menos amor.
A paz é um solitário faroleiro que nos permite indicar o rumo. Se o sentimento vem aos trambolhões, machucadelas, dificuldades, semi-impossibilidades até, mas ao chegar tece paz, pode ter certeza de que é amor.
Se, ao contrário, amantes, cansados e felizes, chegaram ao auge da alegria e do prazer, mas a paz não se teceu, o aviso é tão terrível quanto real: não é amor. Este se encaminha pelo mar de tumultos, mas gera a paz: na presença ou na ausência. Em ato ou potência. Essa intromissão da presença ou da falta de paz é a grande indicadora dos rumos ocultos de nossa vida. Ouví-la, seguir a sua sabedoria instintiva é encontrar a melhor dimensão de todas as relações que tivermos.
Saber sentir a paz e percebê-la fluida, mas nítida, deusa das sutilezas e de verdades, eis a chave para a decifração dos enigmas através dos quais o amor se manifesta.

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