Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

domingo, 4 de outubro de 2009

PAZ E AMOR


Impressiona-me no ser humano, essa súbita e inabalável certeza dos próprios sentimentos quando é amor. É um estado dentro do qual convive o máximo de tumulto com a mais redentora das sensações, a de paz. Esse encontro é pacificador e profundo. Sai-se do tumulto da expectativa, da procura, da espera e entra-se na paz, a mesma paz dos amantes após terem-se. Sem paz não é amor, quase se pode dizer. A invasão de paz talvez seja o maior indicador do sentimento que, por arder, parece ser o inverso: o amor. A paz é amor porque só surge quando se está ao lado de alguém sem medo, sem culpa, sem pena, sem ter que explicar ou se explicar, sem interesse algum senão o de ficar ali.
A paz assim concebida pode até modificar um pormenor do slogan hippie tão profundo e significativo, passando-o de “paz e amor” para “paz é amor”. Sem paz as relações podem ser muita coisa, até paixão, porém, não, amor.
O amor se expressa pela paz sentida nos corpos e espírito, porque ele é vivência que junta milhares de energias sensíveis funcionando ao mesmo tempo. É contato súbito com essências desconhecidas da vida e do mundo, vislumbre do mistério original.
A paz é a única forma de conciliar todas as energias que, agindo em conjunto, propendem ao equilíbrio perfeito. A paz é no centro do círculo, o coração da mandala, o ponto para o qual convergem todas as forças com igual valência e intensidade. O centro do ser é o espaço da plenitude, essencial, o ponto comum a todas as partes, a conexão com o cosmos, com a natureza íntima da matéria e do ser. A paz é esse contato súbito com o centro do ser, uma antevisão prazenteira do nirvana, da relação misteriosa com a luz!

2 comentários:

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