Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CUIDANDO DE QUEM CUIDA


Ao saber do diagnóstico de doença de Alzheimer e de suas implicações, muitas pessoas decidem dedicar-se exclusivamente ao cuidado do familiar acometido. Não estimulo essa decisão... Vários estudos mostram que familiares que se dedicam só, ou quase só, a esta atividade têm risco muito aumentado de depressão, ansiedade e distúrbios de imunidade. Este risco pode continuar mesmo após o paciente estar institucionalizado ou morto. Você nunca deve esquecer que cuidar de alguém com doença de Alzheimer é uma atividade exaustiva e muitas vezes frustrante, que continua por vários anos. Ao fazer o planejamento em longo prazo, considere os seguintes pontos:
  •  Planeje tempo para cuidar de você mesmo, ainda que apenas um período. Um auxiliar pode ser contratado para uma parte do dia, quando é aconselhável que você esqueça momentaneamente o problema. Ir a um cinema não deve ser encarado como uma falha na assistência ao seu familiar, mas sim como o tempo necessário para você readquirir a energia que vai precisar. Algumas famílias preferem cuidar do paciente em rodízio, o que implica em um período de adaptação cada vez que ocorre uma mudança de casa.
  • Para toda a família, a aceitação de dificuldades relacionadas à doença será tanto melhor quanto mais esta for conhecida. Todos devem procurar informar-se, procurando associações de familiares, como a Associação Brasileira de Doença de Alzheimer (ABRAz), que também poderão proporcionar apoio pela oportunidade de compartilhar experiências com pessoas enfrentando o mesmo tipo de problema. Além disso, existem vários Serviços de Geriatria e Gerontologia, em hospitais, que possuem Grupos de Apoio. Busque...
  • Como toda pessoa, você está sujeito à depressão e raiva. Perder a calma durante uma crise de raiva do paciente não torna você um criminoso. Nesta situação, o mais aconselhável é chamar outra pessoa (parente ou amigo) e retirar-se por algum tempo. Isto é mais uma demonstração da importância de pelo menos duas pessoas estarem envolvidas no plano de cuidados.
  • Ao tomar decisões, em particular decisões cruciais, como institucionalizar, procure fazer com que sejam compartilhadas por toda a família. O médico assistente pode ajudar neste processo.
  • E nos estágios finais, quando a linguagem foi perdida e a dependência é total, lembre-se que, ainda assim, o AMOR permanece. A pessoa para quem você está olhando é a mesma com quem você sempre conviveu, pode acreditar!

2 comentários:

  1. Regina,
    Lendo esse seu post, fiquei pensando na minha tia, que vive exatamente isso. Tenho um tio com Alzheimer ja' a muitos anos e a luta dela nao e' facil, mesmo com a ajuda de auxiliares. Como as culpas ficam em evidencia, quando na verdade, nao tem culpa nenhuma. Ela tambem e' um ser humano que precisa de cuidados, se nao..... vai entrar nesse processo depressivo com forca! Haja paciencia! O planejamento e' fundamental! Beijos menina!

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  2. Paty Amada
    Fale com ela sobre os grupos de ajuda... no início elas resistem, depois que vão a primeira reunião não faltam mais!
    Beijuuss n.c.

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