Não importa onde estamos, numa mesa de bar ou no divã do analista, nossa mente nunca para e nossos medos e desejos nunca nos abandonam. Nem por um instante nos separamos do que realmente somos e, por mais difícil que seja, não controlamos cem por cento nossas atitudes. Se Freud, após 40 anos de estudo da mente humana, continuou com várias dúvidas sobre o ser humano, quem sou eu ou você para julgar as “crises histéricas” da melhor amiga? Só Freud explica!?!
Coisas simples que todos vivemos,pensamos,sentimos e nem sempre conseguimos partilhar. Assuntos, temas, extraídos da minha experiência clínica e do meu cotidiano. Em alguns você pensará: tô fora... Em outros: tô dentro...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

É CONVERSANDO QUE A GENTE SE ENTENDE


Eli é uma amiga dos tempos de formação psicanalítica. Por razões várias, nossos caminhos tomaram rumos diferentes e ficamos, muitos anos, sem nos  encontrar e falar. Nos reencontramos esse ano, com muita alegria, e percebemos que da amizade de outrora não nos perdemos e retomamos a palavra. Vamos nos falando - por enquanto é como dá - via internet e ela, ao tomar conhecimento do blog, está sempre me enviando sugestões e colaborações. Essa, abaixo, por saber e utilizar - como ferramentas básicas de trabalho - tanto quanto eu. a escuta e a palavra. Mais que no trabalho é, no divã nosso de cada dia. Com os companheiros, filhos, familiares, amigos, funcionários é conversando que a gente se entende!
"Passar dez dias sem ligar a TV e o computador: foi esse desafio, impensável para muitos, que uma escola primária de Estrasburgo, na França, propôs a seus 260 alunos. E a experiência deu certo. 90% dos alunos aderiram, apoiados pelas famílias e pelos professores, e a maioria conseguiu cumprir o desafio – com escorregões insignificantes no percurso. Visitei a escola ano passado e conversei com o diretor, Xavier Rémy, e com um grupo de alunos, mães de alunos e uma professora. Um dos objetivos foi aproximar as crianças de suas famílias, estimulando uma prática que anda cada vez mais esquecida: a conversa. E conversar dentro de casa, em vez de correr para ligar a TV ou teclar com os amigos virtuais, foi, pelo que disseram todos, a dificuldade maior. Nos primeiros dias, faltavam assuntos e sobrava desconforto – aquele constrangimento de quem se desacostumou ou nunca aprendeu a conversar de fato. Aos poucos, o silêncio foi diminuindo, e uma série de atividades sugeridas pela escola ajudou a convivência. Com os aparelhos eletrônicos desligados, as pessoas tiveram tempo para se olhar, se ouvir e, possivelmente, se conhecer.
A experiência de Estrasburgo mostra o quanto estamos nos distanciando uns dos outros, ainda que dividindo o mesmo espaço. Em casa ou no trabalho, falamos muito, mas conversamos pouco, o que é uma pena. Nosso estilo de vida não ajuda: pressa, estresse, a parafernália eletrônica, individualismo – nada disso estimula as conversas, que estreitam laços e nos fazem refletir. Andamos desatentos, incapazes de ouvir, esbarrando uns nos outros, mais do que convivendo. Com isso, nossas vidas empobrecem. Eu me lembro de uma gravação que fiz no México sobre a celebração do Dia dos Mortos. Um garoto de 13 anos limpava com carinho o túmulo do avô. Perguntei à mãe dele se costumava levar o filho ao cemitério naquela data. Ela respondeu que sim e disse que, todo ano, no Dia dos Mortos, conversava com o filho sobre as pessoas da família que já haviam morrido: como eram, do que gostavam, as lições que deixaram. Assim, a história familiar era perpetuada, costurada por esse fio afetivo. Pensei nos nossos adolescentes e crianças: quanto conversamos com eles sobre sentimentos? Ou talvez a pergunta seja mais básica: quanto conversamos com eles?
“As palavras são o único brinquedo que eu guardei da minha infância”, meu irmão costuma dizer. Criados sem qualquer conforto material, nunca nos faltou o alimento das conversas afetuosas e genuínas, que aconteciam perto de um fogão a lenha onde o fogo jamais se apagava por completo. Assim como o adolescente mexicano, tivemos a sorte de ter uma mãe que, mesmo trabalhando fora oito horas por dia, achava tempo para investir naquilo que seria nossa maior riqueza."

Fonte: Matéria retirada da Revista Linha Direta.
Edição 145/ Ano 13 - Abril 2010
Texto escrito pela jornalista Leila Ferreira (mineira)

16 comentários:

  1. Olá RÊ!

    Este é certamente um tema aliciante.Com todos estes meios de comunicção que temos à nossa disposição, conseguimos o feito extraordinário de conseguir estar perto de quem está longe, e - muitas vezes - longe de que está perto.É uma paradoxo, mas eu penso que é verdade.E também me parece que não será fácil inverter este estado de coisas:No fundo, eu acho que não aceitamos mais viver num universo mais limitado do que aquele que este computador - com todas as possibilidades ao mesmo associado - nos pode oferecer ...
    E quanto aos serões em família, ou com amigos,lembro-me do caso interessante que comigo ocorreu quando estive em comissão de serviço na Guiné, no tempo da guerra colonial. Aí havia uma só estação de rádio, e era tudo o que havia; televisão, nem pensar!
    E, curiosamente, ninguém se queixava da sua falta: sobrava o tempo para conviver e conversar;depressa esquecemos que tal coisa existia, e, sinceramente, todos ficámos a ganhar!

    beijinhos amigos,
    Vitor

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  2. Exactamente, concordo com Vitor Chuva. Não tinhamos televisão, e sempre havia assunto para conversa. E mesmo quando tinhamos tv, muitas vezes não a ligavámos, apenas para aproveitar mais as nossas conversas. "Conversando, a gente se entende" e aprende muito mais.

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  3. Oi amiga Rê,
    vim agradecer pelo mimo significou muito
    ja postei no blog obg mesmo.

    Realmente esse é um tema bem polêmico, nos dias de hoje, pois essas tais redes de relacionamento tem por quase acabado com todo relacionamento familiar e por fim atingido a evolução mental dessa nova geração, que se acostumou a abreviação das palavras, e as conferssas rapidas, descompromissadas e sem conteudo nenhum.
    e é justamenta ai que nossa juventude tem se perdido, eu acho que esse projeto deveria virar lei no mundo inteiro.

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  4. (Tem selinho para você, no meu blog.)

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  5. Essa porcaria de blogger deu erro.
    Lá vou eu novamente escrever tudo que foi apagado...
    Bem acho que se moldar e unir família, televisão e PC é desafiador mas eu consegui, converso com meu filho assistindo um bom filme, jogando com ele o que ele curte no momento e com isto vou me atualizando e acompanhando esta evolução e crescimento dele. Agora se anular em função de um computador é o que chamo chamo de falta total de noção, tudo em que se exagera acaba maussss muito... Enfim vai de cada um pensar e decidir conheço famílias que são distantes e ausentes e a tv e pc's nada tem haver...
    Beijo e afinal o que estamos fazendo aqui?
    Nos comunicando.

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  6. Texto *****

    "A conversa é o jogo de raquete das palavras e das ideias "

    Beijo.

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  7. Excelente, Regina!
    A comunicação é tudo, seja ela de que origem for... Sou pelo bate-papo lá no fundo do quintal, numa noite quente e, sou também, por este bate-papo aqui...
    Abraço

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  8. Ai amiga,que texto rico! Sabe que bato nessa tecla todos os dias. A comunicação é tudo!Dialogando todo mundo se entende. A causa das desavenças,brigas,conflitos,todos vem pela falta de comunicação." Quem não se comunica se strumbica" já dizia o Chacrinha.
    Montão de bjs e abraços

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  9. Preciso de amizades assim, as minhas quem dera fossem assim...

    Bjuxxxx

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  10. Olha Regina, às vezes penso se o ser humano seria capaz de viver sua trajetória na terra sem toda essa parafernália em que nos encontramos.
    Desde a revolução industrial, a coisa não mais parou.
    Todos os dias aparecem novidades high tech numa velocidade tremenda.
    Digitando aqui e interagindo contigo, fico imaginando quão bom seria estar nesse ambiente que tu fala e estar provando um gostoso café preparado no fogão de lenha ou em volta de uma fogueira contando e ouvindo histórias.
    Moro em São Paulo.... Uma hora dessas, me enfezo, chuto o balde e vou fazer tudo isso, rsrsr.
    Um beijo minha amiga, um abraço, e até a próxima.

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  11. A Tv, os computadores e consolas de jogos roubaram, sem dúvida nenhuma, tempo á família e á conversa...
    Não vamos retirar o valor a essas ferramentas, mas há que saber equilibrar as coisas...É tudo uma questão de equilíbrio....
    Cabe a nós,adultos, forçar esse equilíbrio...

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  12. Vitor, amado!
    Não tenho dúvidas que todas as modernidades, nos trouxeram muito benefícios e facilitaram nossas vidas. Mas também, problemas que são estudados, pesquisados e publicados com as consequências "maléficas" dos mesmos principalmente para as crianças e adolescentes. Eu nem sei dizer, se feliz ou infelizmente, "ganho" minha vida através daqueles que me procuram por conta desses malefícios. Mas isso já é uma outra história!
    Beijuuss n.c.

    Ana Paula, amada!
    Particularmente, não troco a leitura de um livro, a conversa ao redor de uma mesa por nenhuma tecnologia... Pode ser que um dia isso mude.
    Beijuuss n.c.

    Marcos, amado!
    Pois eu já não fui lá e me emocionei com suas palavras e carinho!!! Se você visse os erros gramaticais, entre outros, que os professores se deparam diariamente nos colégios e faculdades... Talvez a tal REFORMA ORTOGRÁFICA teria que incluir essa nova categoria, ultra-moderna, high tech de escrita!!!rsrs
    Beijuuss n.c.

    Renatinha, amada!
    Tem razão...Aliás nos tempos antigos os pais não conversavam com seus filhos e/esposas pois era assim: TEMOR mais que RESPEITO! Hoje muitos não o fazem por, simplesmente, não conseguirem se aproximar, uma fresta pequenina para entrar e se juntar.
    Beijuuss n.c.

    Manuel, poeta, amado!
    E é assim: palavra prá lá, palavra prá cá... idéia prá lá, idéia prá cá que construímos uma belíssima partida: a PROSA DA VIDA!
    Beijuuss n.c.

    Zélia, amada!
    Conversando no quintal ou aqui a gente se entende...ou pelo menos tentamos. Obriagada por sua visita.
    Beijuuss n.c.

    Elaine, amada!
    E olha há quanto tempo o Velho Guerreiro já dizia isso... Você já era nascida????rsrs
    Beijuuss, minha linda, n.c.

    Fatinha, amada!
    DIVERÍSSIMO rsrs
    Beijuuss n.c.

    Carlos, mininu-poeta, amado!
    Amizade é um trem complicadim rsrs. Há que se construir diariamente: regar, adubar, arrancar as ervas daninhas e se no final, não florescer e frutificar, pode saber: não era amizade... era outro trem qualquer! Mesmo aqui de longe, vamos ver/sentir o que vai acontecer com essa nossa nova amizade? Eu tô aqui e aí, fazendo... e você tumém...então? Frutos com certeza irão dar!
    Beijuuss n.c.

    Antônio, amado!
    Então deixe lhe contar um segredo: uma das pousadas, mais aconchegante e bacana, que já fiquei - na nossa linda TIRADENTES - é de uma paulista que teve a CORAGEM (pq carece mesmo!!!) de chutar um mega salário/emprego e outras coisas mais e se "aventurar" nessa pequenina cidade!
    Beijuuss n.c.

    Isabel, diva, amada!
    Ninguém está retirando o valor nauuuummmm... Imagina se não tivéssemos a luz elétrica, o telefone, o avião e outras tantas invenções que facilitaram tanto nossas vidas?!? É como vc diz: uma questão de equilíbrio que, muitas das vezes, nem os adultos têm!
    Beijuuss n.c.

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  13. Rê, minha linda, parece nostalgia, mas... Um amigo meu, há uns quatro anos, depois de um longo período de doença, lançou um belíssimo CD cujo sugestivo título era PORQUE NÃO TÍNHAMOS BICICLETA, o qual gerou um release de outro amigo, o Chico Pinheiro, sobre outros tempos, quando a falta era preenchida com valores e sentimentos. Meu primo perdeu um filho num acidente horroroso e chegou à conclusão de que o bom da vida é simples. Porque complicamos tudo e só nos damos conta quando algo terrível acontece?!

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  14. Ângela, iluminada, amada!
    Ás vezes "brinco" dizendo: "se é prá simplificar, vamos complicar"? Gosto de tudo que é simples messsssmo e seja nostalgia ou não, a VIDA, realmente, era muiiiiito mais simples! E as pessoas, então? Melhor fechar meu "bico" rsrs
    Beijuuss n.c.

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  15. Regina, nem sabe como aplaudo pelo tema abordado, sou ferrenha defensora das "prosas", luto feito louca babando para manter isso entre minhas filhas , familiares e amigos.
    Bem sei da dubialidade dos fatos, tudo tem positivo e negativo, a tecnologia é sim de grande valia porém, nos roubou o calor da presença, do olho no olho, das pessoas emboladas em edredons regado a muita pipóca assistindo ao mesmo filme. horas de assuntos variados ao redor da mesa de refeição.
    Nos aproxima dos distantes e nos afasta dos próximos, como assim , uma ironia talvez!
    Temos que tentar a todo custo resgatar um pouquino que seja desse hábito tão saudável e que fortalece os elos que hoje andam às largas e frouxos , uma boa prosa.

    Adorei prosear com você minha querida , só faltou mesmo o cafezinho.

    Beijinho.

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